Editorial – Para que serve a paridade?

No resultado do plesbiscito sobre a colocação de catracas no prédio da FEA, votaram 1.137 pessoas. Dessas, 818 (72%) votaram contra a instalação das catracas e apenas 319 (28%) a favor. Ainda assim, por mais absurdo que pareça, ganhou que devem ser colocadas as catracas, pois a votação foi feita no estilo paritário, ou seja, farsesco. É um voto por setores. Como professores e funcionários votaram em sua maioria em favor das catracas, o voto dos estudantes, que era cinco vezes e meia maior que o dos outros dois setores juntos, foi subjugado.
O plebiscito da FEA deixou, assim, nítido e transparente que a intenção de colocar catracas partiu dos professores que dominam a Congregação da Faculdade, já que 76% dos professores votaram a favor da proposta.
A paridade é tão absurda quanto seria que as eleições fossem decididas não pelo voto contado um a um na urna, mas de maneira setorial. Assim, nas eleições presidenciais por exemplo, teríamos os votos de estudantes, metalúrgicos, professores, médicos, advogados. Ninguém aceitaria isso fora da universidade e não tem por que aceitar dentro.
O voto paritário, que diz pressupor uma isonomia entre os três setores, pressupõe, na realidade, um privilégio. Os professores teriam alguma superioridade em relação aos funcionários e estudantes que obrigariam que seu voto tivesse o mesmo peso, apesar de eles serem a menor parte da comunidade universitária.
O objetivo dessa proposta e o que está por trás dessa ideologia pode ser visto claramente no plebiscito da FEA. Os professores, setor mais ligado ao Estado, com maiores interesses econômicos, têm uma política conservadora e de conjunto não defende a universidade pública gratuita, agindo como instrumento do Estado e da burguesia dentro da universidade. Os funcionários são uma categoria heterogênea, mas em muitos dos casos acabam a reboque dos professores. Já os estudantes, esmagadora maioria da universidade e setor mais desprendido, são sem dúvida o setor mais progressista, que defende de maneira consequente a qualidade do ensino e seu caráter público e gratuito. Por isso esse setor é sistematicamente calado em benefício dos professores e é por isso que são os estudantes e não os professores ou funcionários que devem controlar a universidade