Depoimento: As Paredes

A perseguição política na USP está mais evidente a cada dia. Os estudantes da USP estão sendo questionados pelas comissões processantes se a participação na ocupação da reitoria teve motivação política. A resposta seria óbvia, mas existe um problema por trás. Os membros das comissões afirmam que não estão interessados no fato de não haver nenhum crime cometido por estudantes nos acontecimentos, mas sim em investigar a atuação política de cada um. Esse seria, segundo eles mesmos, o dever do processo disciplinar.
Repetem várias vezes a mesma pergunta, questionam se os estudantes estão arrependidos. Como podem se arrepender se não cometeram crimes, como constam nos processos? E deveriam se arrepender de se opor ao projeto repressivo do PSDB, que tem por finalidade privatizar a universidade? De ter posição política A ou B?
Após os depoimentos, os interrogados precisam aturar as piadas avacalhadas do procurador disciplinar sobre o movimento estudantil e os investigadores dizendo que os estudantes deveriam agradecer por não tomarem borrachadas e por não existir um pau-de-arara durante o depoimento na procuradoria da USP.
Cai por terra a acusação da direita de que os estudantes devem ser punidos por depredação do patrimônio público ou desobediência a ordem judicial. A própria comissão processante, indicada pelo Rodas é obrigada a reconhecer a inexistência desses crimes por parte dos que ocuparam a reitoria e a precaridade da acusação que consta nos processos.
A reitoria não recua diante da falta de provas e da irregularidade dos processos. Existem projetos bastante lucrativos às custas do fim da universidade pública em curso e outros ainda que estão por vir. O papel da reitoria está sendo o de eliminar todos os que se opõem a esses interesses, intimidando toda a comunidade universitária.
Essa é uma disputa política, que deve ser respondida politicamente derrubando o que resta de entulho da ditadura militar não só na USP. É por isso que os estudantes repudiam o convênio da reitoria com a PM, a instalação de catracas nas unidades e nos bandejões e a intervenção da reitoria em todos os assuntos (moradia, espaços estudantis etc.) sem a participação dos interessados, os estudantes. Nessa situação, o DCE do PSTU e do Psol atua generosamente para a reitoria na tentativa de esmorecer a indignação geral.
I.C.
Estudante processado pela ocupação da reitoria da USP