Editorial – De volta à USP, de volta à luta!

Recentemente mais um estudante da USP expulso pelo reitor-interventor foi reincorporado à universidade. Um mandado de segurança foi expedido pela juíza Alexandra Fuchs que, reconhecendo o caráter ditatorial da medida de Rodas, exigiu a anulação do pedido de expulsão. O estudante de geografia Yves de Cavalho foi condenado pela reitoria por participar de um movimento político por ampliação do programa de moradia estudantil. Esse programa só foi consolidado a partir da organização e mobilização dos estudantes.
O primeiro estudante a ser reincorporado à universidade foi Marcus Padraic Dunne, em março desse ano. Perseguido por participar do mesmo movimento político, que teve como principal ação de protesto a ocupação da Coseas (Coordenadoria de Assistência Estudantil), o estudante obteve através da luta jurídica uma liminar que lhe exigia sua readmissão ao corpo discente da USP.
No entanto, a luta no terreno jurídico deve ser encarada como complemento e decorrência da luta política direta contra a reitoria e o governo.  Não dá para apostar todas as fichas no judiciário. Se um desses estudantes tivessem sido julgados por um juiz tucano, por exemplo, dificilmente teriam obtido o mesmo resultado.
Os estudantes tem se organizado para protestar contra as arbitrariedades dos inúmeros processos administrativos de Rodas. No primeiro dia, centenas se concentraram em frente à Procuradoria Geral, onde acontecem os depoimentos. Diante da mobilização, a reitoria recuou e adiou os depoimentos daquele dia.
Os estudantes devem confiar em seus próprios meios de luta, sem se deixar iludir com falsos argumentos dirigidos a desmobiliza-los. O DCE, por exemplo, chegou a declarar durante o primeiro ato contra os processos que o protesto poderia atrapalhar os depoimentos. Seus diretores viraram as costas para os estudantes processados e para aqueles que lutam contra sua expulsão e foram embora do ato. Tal demonstração provocou indignação entre os estudantes que, cada vez mais, adquirem consciência de que o DCE age sistematicamente contra a luta.
A única chance dos estudantes alcançarem suas reivindicações é manter a luta em pé. Lutemos com determinação e organização para barrar os processos e expulsar quem realmente merece estar fora da USP: o reitor-interventor João Grandino Rodas.