Opinião – Até quando?!

Masoquismo: Fig. Anormalidade daquele que tem prazer em torturar-se.
Masoquistas. É, acho que essa palavra define muito bem alguns estudantes da USP. A inércia tem nos trazido conseqüências irreversíveis, como essa descoberta na véspera de feriado dizendo que os circulares internos (cinzas) circularão no campus até as 21hrs a partir de segunda-feira. Entre tantas outras situações proporcionadas pelo famigerado Rodas, nós, estudantes, assistimos de camarote o seu projeto de privatização dar certo. Catracas na FEA, SPtrans lucrando para transportar alunos e funcionários dentro do campus, repressão às manifestações, perseguição política (como aquela do catracaço no bandejão), enfim, a lista está aumentando e nós diminuindo diante de tantas respostas diretas da reitoria.
Oras, quem sou eu para falar do movimento estudantil? Sou apenas uma caloura que estuda num prédio provisório de 30 anos, numa faculdade que quando chove vira um piscinão e o teto desmorona em nossas cabeças. E quando levantamos a voz para reclamar nossos direitos, e claro, o direito de trabalhadores que nos ajudam no dia-a-dia, somos “esquerdopatas”, “comunistas” e por aí vai.
Acho que o movimento estudantil já esteve melhor. Acho que os que lutaram na época da ditadura sentiriam vergonha do que estão fazendo atualmente na USP. Vergonha do enterro simbólico do Rodas, que reuniu 30 estudantes na Praça do Relógio. Vergonha das assembléias que, por incrível que pareça nunca tem quórum, nunca pode ser deliberativa (claro que não assumem que é por falta de divulgação). Acho que estamos caminhando para uma política reformista dentro do ME. Uma política que faz alianças com a burguesia, que toma café com o Rodas, que bate nas costas do Alckmin, mas que ao mesmo tempo faz um discurso inflamado querendo defender os estudantes, como quem diz “ainda somos de esquerda”. Quando sairemos dessa inércia? Quando deixaremos de ser masoquistas e encararemos o reitor da mesma altura que o Rodas tem nos encarado? Já falam em USPresídio pela internet, catracas para todos os lados, PM no campus, presos políticos, perseguição…Até quando tomaremos tapas na cara e sentiremos prazer com isso? O semestre está chegando ao fim e as discussões estão cada vez mais abafadas. Já não ouço mais os gritos que me arrepiavam na primeira semana de USP – FORA RODAS! FORA PM! É, caros colegas, parece que esses gritos estão sendo calados por um discurso do tipo “precisamos mobilizar os estudantes”…e aí? Cadê essa mobilização? Ou será que só um choque poderá tirar nosso ME da inércia?
Então sejamos esse choque!
Melissa Ribas
aluna da Letras