A retomada dos processos contra os estudantes

No final de Agosto, a Coodenadoria de Assistência Social (Coseas) convocou dezenas de estudantes para prestar depoimento sobre o catracaço feito no dia 29 de Fevereiro. Como todos os processos que a direção da universidade tem levado, este também está cheio de arbitrariedades e tem como objetivo acabar com qualquer tipo de manifestação dentro da USP.
Segundo depoimentos dos próprios processados, eles foram avisados em cima da hora e não havia muitas informações, apenas que deveriam prestar alguns esclarecimentos. As seções, são como interrogatórios da época da Ditadura. Ao chegar, ao invés de pegar os depoimentos, do que aconteceu, a coordenadoria apresenta sua versão e a acusação.
Durante os “depoimentos”, caso o convocado se oponha a qualquer afirmação, a comissão criada pelo prof. Waldir, coordenador da Coseas, ameaça os depoentes que, sozinhos, ficam incapazes de reagir. Além disso, são usadas imagens feitas pelos “policiais” da coordenadoria como prova do “crime”, mas a maioria delas, são apenas pessoas jantando.
Assim como todos os processos que correm dentro da USP, mais uma vez, o Rodas, através da Coseas é “juiz, júri e carrasco” dos estudantes que se mobilizam contra ele.
No dia 29 de fevereiro, cerca de 2 mil alunos se organizaram, de forma quase espontânea, para fazer o catracaço em protesto à implantação das novas catracas no bandeijão e ao autoritarismo e repressão da reitoria de João Grandino Rodas. A manifestação ocorreu de forma pacífica e os alunos puxaram várias palavras de ordem contra o reitor e a repressão.
Com as novas catracas, os alunos ficaram impedidos de frequentar o bandejão caso não fossem almoçar ou se fossem dividir o almoço com outra pessoa, prática que antes era comum por aqueles que não pretendiam comer tudo. Antes, havia catraca apenas para quem fosse servir. Este é mais um dos ataques à liberdade dentro da USP.
Apesar disso, a versão trazida pela coordenadoria é bem diferente, diz que os alunos depredaram o lugar, seguraram os funcionários, de forma violenta e etc. No local, o único que agiu com violência foi um membro da guarda universitária que chegou querendo acabar com o catracaço, mas não conseguiu e acabou desistindo.
Rodas está aproveitando a baixa mobilização dos alunos, desde a volta das aulas no segundo semestre, para avançar na eliminação daqueles que lutam contra a repressão, o desmonte e a privatização da USP.
É preciso denunciar e continuar a luta para barrar este e todos os outros processos, contra estudantes, funcionários e professores. Somente através da mobilização é possível mudar a situação, de repressão àqueles que se mobilizam contra a repressão de Rodas e do seu projeto de desmonte da USP.