Opinião: Rodas é integralista mesmo!

Na última quinta, ouvindo o rádio enquanto estava preso no trânsito, acabei ouvindo o “Palavra do Reitor”, estranho programa em que um apresentador finge entrevistar o Rodas por mais ou menos uma hora.
Até então, não acreditava muito na suposta ligação de Rodas com o Integralismo que já tinha ouvido falar e lido no USP Livre!, mas os temas e a abordagem do programa me fizeram mudar de ideia. A própria existência deste programa me faz lembrar a atitude de um líder fascista, como foi a criação do atual “A Voz do Brasil”, por Getúlio Vargas.
Não lembro a ordem exata, mas ele falou sobre o “7 de Setembro” e o Hino Nacional e uma introdução não oficial que era cantada “nos tempos de nossos avós”; algo de direito e de uma teoria criada pelo Miguel Reale, que depois fui confirmar e realmente era um das cabeças da Ação Integralista Brasileira (AIB); do Ranking feito pela Folha, que cita a USP como melhor universidade do Brasil; sobre como ele “melhorou” o ônibus no campus Butantã; por último, critica a ação, sem citar nomes e organizações, dos sindicatos e do movimento estudantil.
Ele elogia o grande mestre e duas vezes reitor da USP Miguel Reale, falando do sua teoria, internacionalmente reconhecida e etc… Por último, sobre as questões de direito, fala que muitas vezes é melhor que as partes resolvam seus problemas sem a mediação de um juiz. Pra quem vê sua gestão na reitoria, sabe que ele não gosta mesmo de resolver através de juízes, mas da polícia…
Depois disso, fica um bom tempo falando sobre o Hino nacional e curiosidades. E tudo é demonstrado de uma forma extremamente nacionalista e não é só por causa do tema, o próprio hino é tocado várias vezes. Até mesmo a pessoa que escolhe para demonstrar a parte não oficial do hino, é uma mulher que trabalhou pela Cruz Vermelha na Revolução Constitucionalista que deu início ao integralismo.
Em certo momento, Rodas procura desmentir os boatos que certos grupos criam. Falando sobre o circular interno e todas as mudanças recentes, ele acaba por expor ainda mais o problema e o desmonte promovido por ele. Em 2010, só no Butantã, tinha 19 ônibus, destes, 7 foram mandados para outros campi e 6 foram leiloados por não funcionarem mais.
Sobre os motoristas, a prefeitura possui, segundo ele, 45 contratados. Destes, 16 estão afastados por questões médicas (más condições de trabalho?); 12 prestam serviços para unidades de pesquisa e serviço e apenas 17 se dividem nas linhas circulares e outras necessidades da prefeitura.
Prefeitura do campus possui 45 motoristas, sendo que 16 estão afastados por problemas médicos, 12 prestam serviços para unidades de pesquisa e serviço e apenas 17 se dividem nas 6 linhas circulares e nas necessidades da prefeitura.
E ainda fala que não há privatização do transporte, que o que foi feito com os circulares do “busp” é para a melhoria do serviço, apenas. Mas pra mim aquilo é privatização, nós não pagamos, ainda, mas até quando? E os outros?
Rodas ainda fala da avaliação dos servidores. Já começa falando que o que tem se falado sobre a avaliação são boatos feitos “para criar a instabilidade”. Diz que o objetivo não é a demissão e que fará ainda mais duas avaliações. Mas depois diz que existe o PROAD e que este sim pode levar a demissão.
Com isto, começa os ataques aos sindicalistas, sem os citar diretamente. Coloca a aversão à avaliação como “coisa do passado”. E garante: “todos aqueles que cumprirem minimamente suas funções, não correm absolutamente risco nenhum” (João G. Rodas). Isto é uma ameaça ao direito de greve?
E continua: “que os nossos funcionários todos, pensem no seguinte, resolvem por si mesmos, examinem a questão e decidem o que quiserem, mas por si mesmos, não adianta, não é inteligente ir atrás de bandeiras furadas pura e simplesmente para fazer com que os outros tenham benefícios, não eles próprios, nas suas carreiras políticas, dentro das suas corporações específicas.” (idem)
Por fim, invoca até a introdução não oficial do hino. “Eu acho que está na hora dos nossos funcionários, como todos os demais professores e alunos inspirados pela introdução não oficial do hino, lembrar “espero a USP que todos cumpram os seus deveres, sempre avante, sus e sus.” (idem)
Depois disso, não me restam dúvidas. O Rodas é Integralista!

Lúcio Falsi