Pela devolução dos blocos K e L para a moradia estudantil

Foi aprovada no XI Congresso da USP, por unanimidade, a reivindicação de devolução dos blocos K e L do CRUSP para a moradia estudantil. Hoje, tais blocos são ocupados pela reitoria da USP, que, durante a ditadura militar, demoliu 3 outros blocos para construir uma rua. Atualmente a USP tem um déficit de cerca de 6500 vagas para moradia estudantil.
Os prédios do CRUSP foram construídos em 1963 para servir de alojamento aos atletas dos Pan-Americanos. Após os jogos, com a proibição de utilizá-los como moradia estudantil que fora prometida, os estudantes ocuparam os todos os blocos entre 1964 e 1968. Após anos de expulsão dos estudantes do CRUSP pela ditadura, começa uma nova ocupação em 1979, que garantiu até hoje a permanência dealguns estudantes de baixa renda.
É importante também ressaltar a questão das lavandeirias. Atualmente temos 6 máquinas de lavar roupa para mais de 1500 cruspianos. As atuais “lavanderias” improvisadas são cubículos onde os estudantes diputam espaço com os varais. Além disso, precisaríamos de pelo menos 5 vezes mais máquinas para atender minimamente todos os estudantes, que fazem fila e acordam de madrugada para lavar suas vestimentas. Entretanto, antes da invasão da burocracia universitária no CRUSP, havia uma lavanderia industrial profissionalizada onde hoje parasita a administração Coseas/SAS.
Uma outra reivindicação aprovada por unanimidade no congresso dos estudantes foi a contratação de mais funcionários para os bandeijões. O café da manhã e o almoço aos sábados e domingos foi uma conquista dos estudantes, por meio de greve e ocupação da reitoria, em 2009. Porém não houve ampliação do número de funcionários, que por isso passaram a trabalhar mais.
Um movimento estudantil que não levante as bandeiras em defesa assistência estudantil dificilmente conquistará o livre acesso ao ensino. Os estudantes de família operária necessitam de moradia adequada e bolsas sem contrapartida em mérito acadêmico ou trabalho. Nesse sentido, é imprescindível a defesa dos processados da Moradia Retomada e de todos os que lutam contra a reitoria.
Alcides Pedrosa