Um ano de polícia no campus

No dia 8 de setembro de 2011, o reitor imposto por Serra na USP, João Grandino Rodas, assinou o convênio com a PM de São Paulo, para que esta pudesse atuar dentro da universidade.
O convênio foi assinado sob o pretexto de “garantir a segurança” da comunidade universitária, após o assassinato do estudante Felipe Ramos no estacionamento da FEA. Mas o que se viu a partir disso foi o crescimento exponencial da repressão à comunidade universitária.
Pouco tempo depois da presença da PM no campus, no dia 27 de outubro do ano passado, três alunos foram presos por estarem supostamente portando drogas na FFLCH. O caso revoltou os estudantes da faculdade que imediatamente começaram uma manifestação contra as prisões e só não conseguiram reverter, devido ao apoio da burocracia universitária e estudantil aos policiais. No mesmo dia, a diretoria da FFLCH foi ocupada, exigindo o fim do convênio com a Secretaria de Segurança Pública.
Após uma assembleia geral dos estudantes, decidiu-se por desocupar a diretoria e ocupar a reitoria, para aumentar a luta contra a PM e contra o reitor que a colocou dentro da USP, Rodas.
No dia 8 de novembro, em uma demonstração de força, a PM, com mais de 400 policiais da Tropa de Choque, helicóptero, cães, etc., invadiram a reitoria. Após a desocupação, 73 estudantes foram presos. Como reação a isto, no mesmo dia foi declarada greve geral dos estudantes da USP.
A greve durou mais de 4 meses. Durante todo esse processo, o reitor-interventor se negou a negociar com os estudantes.
Em pleno feriado de carnaval deste ano, Rodas e a PM realizaram outra reintegração de posse, desta vez, da moradia retomada que servia de abrigo a vários estudantes que tinham dificuldade de conseguir vagas no CRUSP.
Outro fato marcante da presença da polícia no campus foi a agressão racista de um policial contra o estudante Nicolas Barreto, no espaço do DCE.
Neste ano, ainda, uma denúncia feita por um policial civil mostrando o envolvimento da PM que está na USP com o PCC. Policiais do 16º Batalhão da PM – os mesmos destacados para patrulhar a Cidade Universitária – estariam na folha de pagamento do crime organizado
Mesmo com todos os acontecimentos, no último congresso dos estudantes, o DCE, procurou a todo custo retirar a palavra de ordem de “Fora PM”.
A ocupação policial do campus é um dos principais problemas na USP neste momento e a saída da PM da Cidade Universitária deve se manter como uma das principais reivindicações dos estudantes e de todos os setores que lutam em defesa da universidade.