Câmeras espiãs no Bandejão Central

A foto maior, à esquerda, mostra qual era o quadro que continha as câmeras ocultas.No alto, à direita, o “furo” na tela que escondida uma câmera. Abaixo, a câmera instalada.

Na última terça-feira, dia 30, um estudante nos enviou a denúncia de que havia uma câmera escondida em um quadro do saguão do Bandejão Central. A nota enviada foi publicada na íntegra na edição desta terça-feira.

Nesta mesma terça-feira, um membro da redação do Jornal da USP Livre! esteve no Bandejão para distribuir o jornal e verificar a denúncia.

Durante a distribuição, vários alunos, chocados com a matéria, fizeram o mesmo. Descobriram que não se tratava de apenas uma câmera escondida, mas de três, devidamente instaladas atrás de uma tela que enfeitava o saguão. Nenhuma placa ou aviso (como exige a lei municipal) indicavam a presença das câmeras.

Ao que tudo indica, elas registram todos que entram no Restaurante Universitário, além de filmar a atividade dos funcionários.

 

Funcionários da SAS/Coseas dizem que não sabiam das câmeras

 

Funcionários da Superintendência de Assistência Social (SAS – antiga Coseas), que não se identificaram ao USP Livre!, afirmaram que não sabiam da existência das câmeras.

No entanto, terminado o horário em que o almoço é servido e com os portões já fechados, uma funcionária da SAS/Coseas (que, ao que tudo indica, trata-se de um superior hierárquico) se dirigiu aos funcionários que trabalham no Bandejão e pediu acesso ao local.

 

Uma ação clandestina e ilegal do reitor-interventor

 

Estas e outras câmeras dão a Rodas o poder de controlar até nos mínimos detalhes a atitude não só dos estudantes, mas também dos funcionários e professores da USP.

Já era escandalosa a existência de câmeras de vigilância nas faculdades, nos portões e em vários postes. Mas agora, a situação se mostrou claramente ilegal e voltada para a arapongagem.

Entre os estudantes processados sob a acusação de terem depredado a reitoria durante a ocupação no ano passado, vários relatam que a prova de sua presença em um ato ou em ocupações são filmagens. Por várias vezes, haviam membros da Coseas filmando, mas agora se revela que imagens obtidas por meios clandestinos e ilegais também podem ter sido usadas.

Se fossem meramente para a segurança, não haveria razão para estarem escondidas, pelo contrário, o fato de estarem às vistas, seria, por si só, um fator de intimidação.

As câmeras espiãs de Rodas são mais um instrumento da ditadura do reitor-interventor contra os que defendem a universidade pública e gratuita.

5 comentários

  1. Só eu que percebi que as fotos não são coerentes? Comparem o local da câmera com o local destacado, a gestão do Rodas é ruim, mas inventar montagens toscas é de cair o C# da Bunda!

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  2. A USP demonstra quem dá as cartas no campus e – exatamente um ano após a Tropa de Choque invadir a universidade – oferecerá a um coronel da PM o espaço privilegiado de uma sala de aula para que ele possa ensinar aos estudantes os motivos pelos quais eles devem se submeter a uma vida vigiada.

    Sob o pretexto de discutir o tema “Segurança e Privacidade”, a Comissão de Ética da USP e o Instituto de Estudos Avançados (IEA) realizarão no dia 8 de novembro, às 15 horas, na sala de eventos do IEA, a primeira mesa-redonda do ciclo Ética e Universidade, que contará com a exposição do coronel Glauco Carvalho, da Polícia Militar.

    http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/coronel-da-pm-da-aula-na-usp-no-ciclo-etica-e-universidade.html

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