O que quer a “maioria silenciosa” da USP?

Desde a ocupação da reitoria de 2007, a imprensa burguesa e a direita da USP vêm reivindicando para si a chamada “maioria silenciosa”, isto é, a parte da universidade que não participa diretamente das ocupações e outras manifestações do movimento estudantil.

Embora os jornalões e os medalhões nunca tenham se interessado em realmente saber, fica a pergunta: “O que quer a ‘maioria silenciosa’ da USP?”

O termo foi cunhado pelo presidente norte-americano Richard Nixon com o mesmo objetivo. Na época, ele dizia que a “maioria silenciosa” apoiava a Guerra do Vietnã, repudiada, anos depois da declaração do então presidente, por grandes manifestações de massa nos EUA.

Em 2007 e em outros momentos em que o movimento estudantil na USP levantou a cabeça, a “maioria silenciosa” foi convocada a participar de manifestações contra a organização dos estudantes que ocupavam a reitoria ou faziam greve. O que se viu foram manifestações compostas muito mais pela “minoria que faz barulho”, interessada em ver a audiência que os atos teriam, do que por uma suposta maioria direitista da universidade.

O famigerado Reinaldo Azevedo escreveu uma série de matérias com o chamado “Alô, maioria silenciosa da USP”. Nestes, ele atacava abertamente as organizações que participavam das ocupações da FFLCH e da Reitoria e a greve estudantil decorrentes do 27 de Outubro.

Isto deu ânimo para os meninos de recado da reitoria formarem sua chapa, a “Reação”. Mais uma vez, o que se viu foi que, onde quer que estivesse, a “maioria silenciosa” não estava com os direitistas apadrinhados pelo reitor e pela imprensa conservadora.

Se a “maioria silenciosa”, supostamente direitista”, não é capaz de se manifestar nem nas urnas, já seria absurdo esperar que esta tenha musculatura para se erguer e organizar um protesto contra os protestos da “minoria ativa” que encabeçou a luta contra a ditadura da polícia e do reitor no ano passado e neste. Esta “minoria” se organizou nas últimas eleições para o DCE em torno à chapa “27 de Outubro”.

Mas, um dado revela mais claramente qual é a verdadeira posição desta maioria. Trata-se de uma pesquisa de intenção de votos feita pelo Instituto Júnior de Pesquisas Sociais (IJPS) e publicada pelo Jornal do Campus. O estudo entrevistou 1.067 pessoas, revelando que 73% da comunidade universitária eram contra Serra no segundo turno.

Outro fato interessante é que mesmo nos lugares onde Serra ganharia (EE, FM, FMVZ, EP e FEA), sua votação é menor do que nos lugares onde o candidato petista teve maior intenção de votos.

A pesquisa do primeiro turno mostrou Serra com apenas 15% da intenção de votos, tendo a maioria dos eleitores uspianos cujo candidato não foi para o segundo turno, optado por votar em Haddad ou invalidar o voto no segundo turno. Nesta pesquisa, também foi revelado que a maior parte da comunidade universitária é contra os governos Alckmin e Kassab: 65% acha a prefeitura ruim ou péssima, 25%, regular e 42% acha o governo do estado é ruim/péssimo e 35% regular.

Os dados atendem à máxima: se não estão com Serra (e a revista Veja, o Estadão, a PM etc.), estão contra eles.

2 comentários

  1. Quem escreveu o texto está mais perdido do que cego em tiroteio ao achar que é possível fazer um paralelo entre o espectro político (direita-esquerda) da USP e do restante da cidade. Para a minoria barulhenta que desrespeita decisões judiciais, qualquer um que não apoia suas iniciativas violentas é considerado “de direita”. A maioria silenciosa que se recusa a participar dos fóruns estudantis, assim o fazem não porque são tucanos a favor de posturas e políticas anti-democráticas, mas justamente por serem pró-democracia. É difícil uma pessoa que tenha postura democrática se sentir confortável ao testemunhar qualquer tentativa de discurso fora do script revolucionário ser vaiado e hostilizado pelos “companheiros” estudantes e, qualquer um com o tico e o teco funcionando se sentirá constrangido ao ver os membros da LER-QUI e do PCO dominando as mesas das assembleias “democráticas” tentando usar os demais alunos como massa de manobra. Para a minoria barulhenta, PSOListas são pseudo-esquerda e quem vota no Haddad é vendido, então é melhor rever os argumentos deste texto, te garanto que 80% destes eleitores do Haddad na verdade compõem a tal maioria silenciosa.

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    • Quem comentou acima, aparentemente, está mais cega que bala perdida… Se não é possível fazer um paralelo entre a situação política da USP e a situação da cidade, então a crítica da nossa leitora deveria estar dirigida ao estudo do Instituto Júnior de Pesquisas Sociais (IJPS), publicado pelo Jornal do Campus e que foi citado no artigo publicado pelo Jornal da USP Livre.

      Mas, aparentemente, nossa leitora não dá muita bola para esse detalhe… Ela prefere acusar, sabe-se lá do quê, o texto, sem citar um único argumento do mesmo. É um verdadeiro prodígio. Publicamos seu comentário aqui e chamamos todos os leitores, partidários ou não do movimento estudantil, ao debate!

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