“A PM está no campus para que, mesmo? Para quem?”

Nesta última madrugada (2/11), durante uma festa da FFLCH, vi um estudante imobilizado violentamente e, sangrando, aguardava com as mãos nas costas e escoltado por cinco guardas universitários, que aguardavam a chegada da PM. Suas razões me escapam, dadas as informações confusas passadas pela Guarda. Em princípio, alegavam o atropelamento de um guarda, mas após alguma discussão, passaram a apontar o atropelamento de um cavalete. Não haviam marcas no carro que levassem a qualquer suspeita nesse sentido, mas independentemente disso, buscávamos que este rapaz tivesse ao menos um tratamento digno, até que tudo fosse esclarecido.

Uma das presentes foi questionar a identificação do guarda mais intransigente e foi por este empurrada e referida como “nóia” e “vadia”. Houve reação e após um enorme tumulto, enfim chegou a Polícia Militar do Estado de São Paulo, mediante a convênio firmado pela USP, afim de garantir maior segurança à comunidade. Os policiais, no entanto, se recusaram a registrar a queixa da aluna, dizendo que deveria tratar com a reitoria o problema. Pela lógica do policial, a obrigação de fazer valer a Lei Maria da Penha, ao que tudo indica, não era responsabilidade dele. Nem mesmo o fato de não haver delegacia da mulher aberta, em decorrência do feriado e final de semana, o sensibilizava. Tampouco a autoridade se deu o trabalho de pedir ao Guarda Universitário a apresentação de sua identificação, algo costumeiramente pedido (e, de maneira geral, sem grande compostura) a qualquer cidadão. Questiona-se, portanto, a que se presta a presença da Polícia Militar, não apenas na Cidade Universitária, como no mundo que nos cerca. A quem ela serve? Quem protege? Quais leis lhe interessa fazer valer?

Todos sabem, porém, nem todos têm a coragem de assumir e se posicionar.