Nota de Esclarecimento e Repúdio à Ação da Guarda Universitária e da Polícia Militar do Estado de São Paulo na Madrugada do dia 2/11/2012

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Associação Atlética Acadêmica Oswald de Andrade, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, vem por meio desta carta repudiar os inacreditáveis atos de violência, coerção e abuso de autoridade cometidos pela guarda universitária da universidade na madrugada de quinta para sexta feira.

Dois alunos (os nomes serão omitidos para preservá-los) saíram da USP para comprar cerveja para festa realizada na FFLCH. Na volta, foram impedidos de entrar pelos guardas da Portaria 1, sob a alegação de que estavam com cerveja no carro. E isso, graças ao reitor, é proibido. Tal proibição é absurda, mas o texto não é sobre ela. O que ocorreu depois envergonha e mancha o nome da USP, tão zelosamente guardado pelo reitor.

Após conseguir entrar na USP, o carro foi perseguido por viaturas da guarda universitária. Na Avenida Professor Luciano Gualberto, na altura do prédio das Ciências Sociais e Filosofia, o carro foi fechado pela guarda. O aluno ao volante foi retirado do carro e AGREDIDO pelos guardas. O pretexto utilizado para tamanha violência era de que ele havia atropelado alguém. Além da violência, a justificativa para usá-la era falsa. É claro que nada justifica a agressão, mas salta aos olhos os métodos da guarda. Chave de braço, joelhadas, socos, tudo isso foi utilizado contra um aluno da universidade, a quem supostamente os guardas deveriam proteger. E tudo isto pelo crime de ter fardos de cerveja dentro do carro. Ele ficou bem machucado, com o rosto sangrando, pelo ato covarde dos guardas.

Outro fato gravíssimo a ser relatado é o sumiço da carteira com os documentos do rapaz. A outra estudante no carro, principal testemunha do ocorrido, relata que ao perceber que o rádio do carro estava ligado, pediu a chave, em poder de um dos guardas, para desligá-lo. Ao fazer isso, notou a carteira em cima do banco do motorista. Mais tarde, ao pedir novamente a chave para desligar os faróis, a carteira não estava mais lá. Logo depois, os guardas começaram a acusar o aluno de estar sem documentos. Não vamos cometer a leviandade de acusar pessoas sem provas. Mas a coincidência é muito grande para não ser mencionada. E a carteira não apareceu. Aonde foi parar? Sozinha ela não desapareceu, é claro.

Graças à pronta mobilização dos alunos que estavam na festa, que desceram em peso para defendê-lo de mais agressões, o ocorrido não teve um desfecho ainda pior. Mas fica aqui um questionamento? Para que, ou para quem, serve a guarda universitária da USP? Não é o primeiro e com certeza não será o último ato de violência cometido contra quem quer que seja. A universidade precisa urgentemente repensar sua política de segurança. Já ficou claro que a guarda não tem o mínimo preparo necessário para lidar com o público. Mas a Polícia Militar está no campus, podem argumentar alguns. Onde estava a polícia quando estudantes da Escola de Comunição e Artes foram sequestrados durante festa promovida toda quinta feira? Onde estava a polícia quando aluna da FFLCH sofreu sequestro relâmpago? A polícia é muito mais um instrumento de repressão, bem ao gosto de nosso reitor, do que segurança para os frequentadores da Cidade Universitária.

Quem vai ressarci-lo pela violência sofrida? Pelos documentos perdidos? Certamente não a USP. A Atlética da FFLCH deixa aqui sua indignação e revolta pela maneira como os dois foram tratados. Em um momento em que a violência de nossa cidade é um dos assuntos mais discutidos, não é agindo desta forma que a guarda universitária contribui para melhorar a já muito conturbada relação entre alunos e a direção da USP. Pelo contrário.

 

 

Associação Atlética Acadêmica Oswald de Andrade – FFLCH USP