O Grandino Irmão

The Big Brother is watching!

O  atual reitor da USP, indicado por José Serra, instaurou na universidade um regime de exceção.

João Grandino Rodas já processou mais de uma centena de estudantes e funcionários sob as alegações mais absurdas e com base em regras estabelecidas durante o regime militar, já expulsou oito estudantes e ameaça de expulsão outras dezenas.

Para expulsar e processar os estudantes e funcionários, o reitor montou um sistema de arapongagem no interior da universidade.

Para investigar de perto estudantes e funcionários durante a preparação da greve de abril de 2010, o reitor montou uma “sala de crise”, coordenada pelo diretor de uma seção de vigilância do campus, que recebia uma série de relatórios, conforme denuncia divulgada em janeiro desse ano.

Os relatórios eram do mesmo modelo dos produzidos durante a ditadura, relatavam conversas, assembleias e reuniões de preparação da greve.

A vigilância de estudantes, funcionários e professores foi sendo cada vez mais aperfeiçoada. Por meio das centenas de câmeras espalhadas pelo campus e por informantes, o reitor passou a mover os processos administrativos contra os estudantes e funcionários.

Estudantes foram chamados a depor nas chamadas comissões processantes. As “provas” que são apresentas contra os estudantes e funcionários são imagens de câmera fotográfica ou filmagem de um protesto, de uma greve ou de uma assembleia.

Recentemente, um estudante denunciou a existência de três câmeras escondidas em um quadro que decora a entrada do restaurante principal da universidade.

Nenhuma placa ou aviso indicava a existência das câmeras que ficavam praticamente imperceptíveis. Logo após a denúncia um funcionário de hierarquia superior aos demais entrou e retirou as câmeras do quadro.

A ação é completamente clandestina e ilegal, ferindo direitos fundamentais de estudantes, funcionários e professores, como o da inviolabilidade da intimidade.

A descoberta mostrou que o reitor-interventor, à semelhança de “O Grande Irmão”, de George Orwel, em 1984, montou um enorme esquema para controlar e vigiar estudantes e funcionários.

Não é à toa que conforme aumentam os meios utilizados pela reitoria para vigiar os estudantes, aumentam os processos administrativos e judiciais movidos pelo reitor.

No último processo, os estudantes são acusados de depredação de patrimônio público porque realizaram um protesto justamente onde agora foram instaladas as câmeras: no saguão do restaurante central.

Durante esse processo, os estudantes que foram obrigados a depor foram surpreendidos com dezenas de fotos do protesto apresentadas como “provas” pelos professores/ funcionários da reitoria que formam a comissão processante.

A reitoria da universidade montou um verdadeiro esquema de vigilância, para tentar conter as greves por meio da intimidação e da eliminação de estudantes. Utilizando -sede uma regra criada pelo regime militar, ainda presente no estatuto da USP, o reitor “eliminou” oito estudantes, determinando que não voltassem à universidade dentro de dez anos.

A punição é a mesma que era utilizada pelos militares para expulsar os estudantes que se manifestavam contra o regime. Vinte anos depois, a situação não mudou muito na principal universidade do País. São câmeras ocultas, espionagem e uma enorme perseguição política para expulsar estudantes e funcionários da universidade, visando atender aos planos do imperialismo de privatização do ensino superior público do País.