Em 2001, reitoria da USP já queria instalar câmeras espiãs

O interesse da reitoria em espionar a vida dos uspianos é antiga. Mas não é preciso voltar à ditadura militar, quando havia (como se não houvesse hoje) policiais infiltrados nas universidades. Existem documentos de 2001 que mostram a arapongagem da Coseas (atual SAS) e até o plano de instalação de câmeras camufladas na região do CRUSP.

Estes documentos foram descobertos na ocupação do térreo do bloco G, em 2010. Entre eles, um referente a 2001, faz uma análise do CRUSP, indicando os “grupos problemas”, que se dividiam em dois, agrupamentos políticos que sempre se opunham às ações da Coeseas e um grupo que comete supostos atos ilícitos. Com isto, eles criam um “plano de segurança” para “limpar o terreno”.

Objetivo principal deste plano é principalmente monitorar a rotina dos cruspianos, com a ajuda de moradores que têm envolvimento com a Coseas, porteiros, vigias e a instalação de câmeras camufladas. Na lista de recursos materiais necessários para isto, está um aparato de filme de espionagem, como Rádios HTS para comunicação direta com a guarda; detectores de metais “discretos”; binóculos com visão noturna; botões de pânico nas portarias; e oito câmeras móveis de alta resolução e camufladas.

Este documento, ainda, indicava onde estariam instaladas, sendo três nos corredores e duas nas proximidades do CRUSP. Elas nunca foram relatadas pelos moradores, mas estavam programadas para serem instaladas entre agosto e setembro de 2002. Outros documentos encontrados na moradia retomada traziam relatos dos porteiros sobre diversos detalhes da vida dos moradores, como o horário em que chegaram, se receberam visitas, fizeram “festas” na cozinha, etc.

Isto foi bem antes de se começar a instalar oficialmente câmeras na universidade. Em 2006, foi anunciada a instalação de 64 câmeras durante as férias de julho, sendo cinco em torno da reitoria e com alcance de 360º.

No final do mesmo ano, foi anunciada a compra de mais 168 câmeras, com isto, à época havia mais câmeras no campus Butantã do que em todo o resto da cidade.

Em 2010, já sob o comando de Rodas, foram compradas mais 85 câmeras, cinco com infravermelho e 10 com poder de girar 360º, com as quais foram gastos R$ 2,5 milhões.

Junto destas, não se sabe quantas pode haver escondidas pela universidade.