Quem melhor para falar sobre segurança e privacidade na USP se não um coronel?

Na próxima quinta-feira (8), acontecerá a primeira mesa redonda do ciclo “Ética e Universidade” que debaterá “segurança e privacidade”. Para compor a mesa, foram convidados o professor Sérgio Adorno, recém-eleito diretor da FFLCH, Leandro Piquet Carneiro, professor de Relações Internacionais e, claro, o coronel Glauco Carvalho que atua em Guarulhos.

Engraçado. O Reitor que nunca se pôs à disposição de negociar com manifestantes, pune estudantes e funcionários com base em um estatuto do período da ditadura, agora quer debater ética. Organiza o debate sobre privacidade e segurança uma semana após os estudantes encontrarem câmeras no bandejão. E, conseguirá, mesmo assim, tirar conclusões favoráveis a si.

Todos os membros citados e até a mediadora, Maria Hermínia Almeida, são membros da burocracia universitária que apóia Rodas, ou do próprio governo do estado. Adorno é o candidato à diretoria da FFLCH escolhido (e imposto) por Rodas para dividir a faculdade; Leandro Piquet, é coordenador do programa de pesquisa em segurança e criminalidade do NUPPs e funcionário da Globo; Glauco, para começar, é um dos chefões da PM e membro de confiança do governador; já Hermínia, era apoiadora de Suelly Vilela e se já se pronunciou contra o movimento estudantil.

Como se pode ver, Rodas está em terreno favorável. Dificilmente estes debatedores se colocarão contra os ataques deferidos contra aqueles que se organizam contra a destruição da USP. Pelo contrário, devem até mesmo justificar o fim de qualquer privacidade em prol da “segurança”.

É preciso frisar, no entanto, que a segurança dita nesta mesa-redonda e a defendida por Rodas quer dizer repressão. Todas as medidas tomadas por ele com esta bandeira, acabaram por se virar sempre contra a comunidade universitária. Como o convênio com a PM que levou à prisão de três estudantes e as desocupações extremamente violentas, as câmeras foram usadas contra os estudantes processados e agora são colocadas escondidas, etc.

O único lado bom do debate que ocorrerá no IEA, às 3h da tarde, é que será aberto a comunidade. Quem sabe alguns estudantes não apareçam por lá para se manifestar contra esta farsa e a perseguição do “Grandino Irmão”.

 

Lúcio Falsi