Meu desabafo

As eleições para a Amorcrusp estão chegando e fica cada dia mais claro para mim que há um abismo entre as propostas da chapa Retomada e as as outras duas. A necessidade de superar as nossas derrotas como moradores do Crusp berram para todos os lados.
No primeiro debate entre as chapas, a direita ficou recuada e não compareceu, retirando dos presentes a oportunidade de observar um espectro político mais concreto. Porém ficou evidente o caráter oportunista da chapa que pretender ser a continuação da atual gestão. Os integrantes da chapa enfatizavam as “conquistas” do último período: a transformação da associação de moradores em mera locadora e zeladoria em detrimento da organização política dos moradores. Primeiramente é preciso lembrar às vezes, diante do mar de confusão, que nenhum morador se opõe à criação de salões de jogos, de locadoras, de assistências diversas. O grande problema é a chapa populista utilizar isso como demagogia para esconder sua política traiçoeira de despolitização geral. Também é necessário esclarecer que essa demagogia, acompanhadas das ditas “conquistas”, foram colocadas também em prática pela gestão mais reacionária do último período na Amorcrusp e é, em geral, característica de entidades pelegas – e, em diversos casos, domindas pela direita assumida – em todas as épocas e lugares da história recente da humanidade.
A atual gestão observou passivamente 6 moradores do Crusp sendo eliminados do corpo discente e a invasão da PM que prendeu e retirou da moradia 11 estudantes. Esse grupo apresenta um gritante sofima ao culpar os estudantes que se movimentam e lutam pela melhoria da moradia e pela expansão de vagas pela punição que sofreram, ao invés de culpar a política repressiva de Rodas. Fato é que durante o ano de 2010, quando uma gestão combativa assumia a Amorcrusp através da mobilização de uma enorme parcela dos cruspianos, conquistamos de volta para os nós estudantes o espaço no bloco G, diante da intransigência da Coseas em atender as nossas reivindicações. Isso evidencia a lógica invertida dessa chapa, que é continuidade da contenção do movimento político no Crusp. Com os estudantes mobilizados, é muito mais difícil coibir as ações política na universidade.
Escondem o fato de não medir escrúpulos para burocratizar a Amorcrusp. Nas últimas eleições, formaram uma chapa conjunta com elementos da direita que compunham a chapa Reação para o DCE. Na primeira assembleia do ano, convocada após forte pressão dos cruspianos que queriam responder às eliminações e prisões dos colegas, implodiram a discussão e unilateralmente decidiram guardar os equipamentos sem consultar o plenário, encerrando uma votação em andamento. Disso, passou-se o ano inteiro com reuniões fantasmas sem a possibilidade de decisão coletiva dos moradores. As outras duas “assembleias” foram extremamente mal divulgadas.
Essa é a “direção do movimento” que a Coseas/SAS gosta. Com esse métodos assumidos pela gestão, tornou-se possível para a reitoria intimidar os cruspianos com as cartinhas de contagem de créditos e expulsar uma moradora com seu filho de apenas um ano de idade. Caso uma política dessa seja vitoriosa, a reitoria se sentirá segura para atacar não só os mais ativos no movimento estudantil concentrados no Crusp, mas de todos que infrinjam normas, como as que surgiram no último período: a proibição de andar sem camisa no Crusp, proibição de festas, proibição de compra e venda de cerveja no campus. Isso sem contar o regimento da ditadura ainda em vigor, que proíbe qualquer atentado à moral e aos bons costumes, que abre um leque estratosférico de interpretações pelo juiz e carrasco João Grandino Rodas.
O nível de vigilância alcançado pela gestão Rodas estrapola a ficção científica. Já foram encontradas câmeras e escutas escondidas, fotos de manifestações que identificam estudantes com legendas caracterizando suas condutas, relatórios de horário, saída e conversas de moradores do Crusp em seus apartamentos…
A chapa Crusp Popular procura claque nas pessoas que chegaram na universidade posteriormente à gestão Aroeira, utilizando-se das mesmas calúnias criadas na época pela Coseas e pelo reitor Rodas. No período anterior, havia intensa participação política dos moradores nas assembleias. Agora tentam nos fazer crer que uma minoria decidia sobre os rumos do Crusp em assembleias lotadas na Ágora e que as reuniões de cúpula da atual gestão é “representam a maioria”. Não procuro uma gestão idealizada para a Amorcrusp, mas adquiri experiência suficiente para ultrapassar essa que é uma barreira para as conquistas dos estudantes.

Alcides Pedrosa

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