Demissão anulada: A luta contra a perseguição política na USP continua

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) anulou, no último dia 24, em primeira instância, a demissão de Claudionor Brandão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP. A demissão ocorrida em 2008 marcou o início do aprofundamento da repressão e da perseguição política na universidade
A determinação é de que o processo retorne à 1ª instância para que sejam respondidas cinco questões sobre as quais a juíza se omitiu para revogar a reintegração do diretor sindical.
Após a concessão da reintegração de Brandão no dia 15 de junho de 2009 por meio de um mecanismo jurídico chamado “tutela antecipada”, a juíza da 26ª Vara do Trabalho emitiu uma sentença negando o pedido de reintegração de Brandão sem responder às irregularidades jurídicas presentes no processo. A reitoria demitiu um dirigente sindical com estabilidade assegurada pela Consolidação das Leis Trabalhistas e pela Constituição, mas a juíza sequer mencionou o fato em sua decisão.
Logo em seguida à demissão de Brandão foram abertos processos administrativos contra Magno de Carvalho, Givanildo Olliveira Santos, Neli Maria Paschoareli Wada, Marcello Ferreira dos Santos (conhecido como Pablito), Nair Maria Pereira (membro do conselho de base – CDB), Ana Mello e o estudante Rafael Alves. A acusação é de terem participado de uma paralisação no dia 24 de março, em protesto contra 271 demissões.
Atualmente, mais de 50 estudantes estão ameaçados de expulsão por terem sido presos na desocupação da reitoria no dia 8 de novembro de 2011. Outras dezenas sofrem processos diversos por manifestações em diferentes datas.
A possível reintegração de um dirigente da entidade sindical dos funcionários e que foi demitido ilegalmente enquanto cumpria mandato de representante da categoria no Conselho Universitário da USP é uma importante vitória do movimento de estudantes e funcionários contra o regime repressivo que vem se instalando na universidade e que se aprofundou significativamente sob a gestão do reitor-interventor João Grandino Rodas.
Mas, a luta continua. Não é possível derrotar as medidas arbitrárias da ditadura de Rodas submetendo-se a elas, aceitando passivamente que os processos tramitem na Justiça, enquanto estudantes, trabalhadores e professores vão sendo processados administrativamente, expulsos, e demitidos por uma reitoria ilegítima.