Greve geral na PUC

Desde o dia 13 de novembro os estudantes, funcionários e professores paralisaram suas atividades na Pontifícia Universidade Católica (PUC). O protesto foi realizado após D. Odilo Scherer, grão-chanceler da PUC-SP, indicar o terceiro nome da consulta à comunidade universitária para o cargo de reitor.
Compunham a lista tríplice o atual reitor, Dirceu de Mello (Direito), o professor Francisco Antonio Serralvo (Administração) e Anna Maria Marques Cintra (Português).
O Conselho Universitário vota uma lista com os três nomes de professores e o cardeal é quem nomeia o novo reitor. Isso também ocorre nas universidades estaduais e federais, para as quais o governador e o presidente indicam, respectivamente, os reitores, podendo passar por cima da eleição interna, qualquer que seja sua modalidade.
A chapa “Autonomia e Excelência Universitárias”, encabeçada pelo atual reitor e ex-presidente do TJ/SP, foi eleita na consulta com 8.267 votos. Todos esses votos foram jogados no lixo quando o bispo decidiu empossar a terceira colocada.
Esse acontecimento se soma aos muitos ataques sofridos pelos estudantes e à crise econômica da instituição, com atraso de pagamento dos professores, por exemplo. Em 2011 seis cursos tiveram diversas disciplinas canceladas e ao todo 400 matérias foram retiradas da grade.
Em 2010 na USP, universidade também em São Paulo, uma crise parecida se instaurou. O então governador José Serra (PSDB) indicou o segundo colocado na votação do conselho Universitário e o colocou como reitor. A ação tirou o véu de qualquer aparência de democracia no funcionamento da instituição.
Os estudantes iniciaram a mobilização que foi incorporada pelos funcionários e professores na PUC. É necessário impedir a gestão na nova reitora e colocar em pauta o poder na instituição.