chapa 27 de Outubro: Fora PM da USP e das periferias

Reproduzimos aqui um trecho do programa da chapa
27 de Outubro que concorre às eleições para o DCE

Para legitimar a violência na USP sem explicitar seu caráter político, a reitoria utiliza de maneira oportunista o mote do “combate às drogas”. O mesmo é feito em todas as periferias brasileiras: usam falsos argumentos para atacar as liberdades elementares dos setores mais pobres da população. Como visto na forma truculenta da ação da PM na dita “Cracolândia” no centro de São Paulo. Além da repressão na USP, um caso emblemático é o ocorrido no bairro do Pinheirinho em São José dos Campos, onde quase duas mil famílias perderam tudo por meio de uma ação com mais de dois mil homens da Tropa de Choque da PM.
O que a grande mídia não denuncia é que a polícia que enquadra estudantes na USP por porte de maconha é a mesma que age com o narcotráfico, recebendo o lucro das vendas com uma mão, enquanto reprime com a outra.
O mais recente projeto de Rodas pretende, ainda de maneira obscura, sob o pretexto de reurbanização, retirar uma população de 30 mil pessoas que há 50 anos ocupa um terreno da universidade. Lembrando que a quase totalidade destas pessoas trabalhou na construção da universidade e muitos se mantêm no quadro de trabalhadores efetivos e terceirizados. É preciso forjar uma aliança entre todos os setores que compõem a comunidade universitária contra mais este ataque, aliando-nos organicamente com a população da São Remo, evitando um novo massacre como o do Pinheirinho ao lado da USP.
Outra medida que garante a lucratividade à iniciativa privada em detrimento da qualidade dos serviços oferecidos é a criação do BUSP – que apesar de soar como uma concessão, retira da comunidade que frequenta a USP o direito de circular por ela livremente, sendo uma tática de elitização que amplia o fosso entre os estudantes e trabalhadores efetivos de um lado e trabalhadores terceirizados e a comunidade externa de outro.
UMA NOVA ETAPA NA LUTA DE CLASSES
Num contexto de crise do capitalismo, evidencia-se, em todo o mundo, que os capitalistas não vão descarregar a crise que eles geraram sem resistência. Na Europa e nos EUA, estão ocorrendo as maiores mobilizações em décadas. No mundo árabe, as ditaduras vêm sendo questionadas. No Chile, um milhão de pessoas tomaram as ruas em luta pela educação gratuita. Em todos os lugares, também se enfrenta a repressão e é a juventude que está na linha de frente das lutas. Sentimo-nos parte dessa mesma juventude que está abrindo espaço para o novo em todo o mundo, e também aí enfrentando duramente a repressão da polícia que, claramente, existe para tentar barrá-la.
No Brasil, ainda não sentimos os efeitos mais brutais da crise, mas já sentimos a repressão, não somente na USP, mas cotidianamente nas UPPs, contra ambulantes no centro de São Paulo, nos massacres às manifestações contra o aumento da passagem em diversas capitais, aos trabalhadores da construção civil de Jirau, ao Pinheirinho, etc. Não somente pelas mãos do tucanato, mas do governo Dilma e do PT (representado nessas eleições na chapa “Quem vem com tudo não cansa”, e apoiado envergonhadamente pelas Consulta Popular e pela APS/PSOL, que dirigem a chapa “Universidade em Movimento”).
Nós, da chapa “27 de outubro” chamamos todos os estudantes, trabalhadores e professores para uma unidade na luta, que para nós só pode ser consequente se desemboca numa forte greve, como medida de força para derrotar o projeto de Rodas e do tucanato.
■ FORA PM: Pela revogação imediata do convênio entre a USP e a PM!
■ Anistia aos 73 presos políticos da reitoria e aos 12 da moradia retomada!
■ Pela reincorporação imediata dos 8 estudantes eliminados e do líder sindical Claudionor Brandão!
■ Fim dos processos criminais e administrativos contra estudantes e trabalhadores!
■ FORA RODAS! Pela dissolução do Conselho Universitário, pelo fim da atual estrutura de poder e por um regime radicalmente democrático!
■ Por uma verdadeira autonomia universitária!
■ Pelo fim do vestibular, ligado à estatização sem indenização das universidades particulares!
■ Politicas efetivas de permanência estudantil para todos! Moradia e bolsas sem contrapartida!
■ Fim do jubilamento e das políticas meritocráticas e elitistas da reitoria!
■ Pela autonomia dos espaços estudantis e de trabalhadores!
■ Pela aliança operário-estudantil dentro e fora da USP contra os governos que se preparam para descarregar a crise sobre nossas costas!