LER-QI e MNN: Política sem princípios

LER-QI (chapa Cícera) e MNN (Território Livre) afirmam que, ao abandonarem a chapa 27 de Outubro e a frente de luta que se ergueu em torno às palavras-de-ordem de Fora Rodas, Fora PM e Fim dos Processos, estavam rompendo uma aliança sem importância, uma frente eleitoral e nada mais.
Mas não se trata disso. O que essas duas correntes abandonaram, ao romper com a 27 de Outubro, foi justamente o programa, os princípios que estavam por trás da luta que se ergueu a partir do enfrentamento com a PM em 27 de outubro de 2011, na ocupação da reitoria e na greve do ano passado.
Programa e princípios estes que nunca fizeram parte da sua política, mas que foram forçados a abraçar dada a pressão que o movimento de luta exerceu sobre eles.

A importância da palavra de ordem de Fora Rodas e Fora PM

O fato de o movimento estudantil da USP ter se levantado, ocupado a reitoria e exigido o fim da gestão autoritária de Rodas no comando da universidade, o fim da intervenção policial e o fim da perseguição política está em que este foi o principal acontecimento em torno do qual giraram todos os demais.
A reivindicação de Fora Rodas e Fora PM coloca em questão o poder na universidade. É uma reivindicação superior a qualquer mudança parcial, justamente porque não é possível que se realizem mudanças parciais na universidade sem remover o obstáculo que a ditadura do reitor-interventor representa.
Os estudantes colocaram em questão a luta pelo poder na universidade.
A subida de Rodas ao poder não foi mais uma troca de reitores. Faz parte do plano do PSDB de desfechar um golpe violento contra a educação pública. Não é uma casualidade. A burguesia e o governo lançaram a luva e declararam seu propósito de destruir a universidade de vez.
É por esse motivo que o reitor-interventor tem que ser enfrentado. Trata-se de um problema capital, superior a todos os outros.
LER-QI e MNN não têm uma proposta para o poder da universidade. O MNN, inclusive, critica que se deva ter uma proposta para o poder. A LER-QI apresenta uma proposta discursiva, vaga, e sequer reivindica a saída de Rodas em seu programa, colocando-se fora da disputa fundamental pelo poder na universidade.
Qualquer reivindicação parcial, por mais importante que seja, tem seu sentido dado pela luta contra Rodas e a PM. Quem não defende essas reivindicações está defendendo a situação atual, está abandonando toda a luta.
A pressão da direita, da reitoria, e do centro (Psol e PSTU, a atual gestão do DCE), vai toda no sentido de que essa luta seja abandonada. Psol (MES, APS etc.) e PSTU querem que os estudantes abandonem essa luta, porque estão em uma política de colaboração com Rodas, cada uma à sua maneira.

O programa e os métodos

A luta contra Rodas e a PM no campus e contra os processos e a perseguição política nunca foi encarada de um ponto de vista de princípios, de programa, pela LER e pelo NN. Estas correntes, pelo contrário, apenas procuraram se adaptar ao movimento na medida em que este levantou a cabeça.
Seguiram o movimento até onde foi possível. Sem compreender que a luta, como tudo na vida, é feita de fluxos e refluxos, LER e NN se perderam em meio aos acontecimentos e voltaram para suas posições habituais. Nunca compreenderam a importância da luta pelo “Fora Rodas” para os estudantes da USP e nunca foram verdadeiramente partidários desta palavra de ordem.
Tampouco os métodos que os estudantes adotaram na sua luta (a ocupação da reitoria, passando por cima dos pelegos) fazem parte dos métodos que LER e NN costumam empregar.
Substituiram a luta contra os pelegos na prática, por meio da ocupação, por uma “luta” feita exclusivamente em discursos eleitorais.
A ocupação foi uma das alavancas que permitiu aos estudantes que enfrentaram a PM efetivamente lutar, se livrar das amarras que a direção do DCE impõe ao movimento.
A chapa 27 de Outubro foi formada no calor da luta, na ocupação da reitoria, contra a pelegada que dirigia então do DCE (Psol) e os que atuavam como sua linha auxiliar (PSTU) e que agora estão juntos à frente da entidade.
Nunca foi uma frente exclusivamente eleitoral. Era uma frente de luta que se apresentou nas eleições para defender o programa da luta, apesar de todas as diferenças que existiam entre as correntes que a compunha. Um programa com o qual LER e NN nunca concordaram.

Rafael Dantas
Militante do PCO
e da chapa 27 de Outubro