Nota da RETOMADA sobre a reunião aberta convocada pela Amorcrusp com pauta “Depressão e problemas psicológicos no CRUSP”

A reunião aberta de moradores desta segunda-feira (3/12) na sala 51 foi convocada para tratar da pressão psicológica que tem afetado a todos. Enquanto a liderança da Crusp Popular puxava o foco para a responsabilização do indivíduo, propondo e incentivando as propostas em torno da psicologização dos problemas no Crusp, nós nos empenhamos em mostrar que para além das pressões típicas de uma moradia estudantil (distância dos amigos e da família, pressão da academia com conteúdos, prazos, notas, e impessoalidade no trato, etc) o cruspiano tem sofrido forte pressão exercida pela SAS/Coseas: cada vez mais se é empurrado pra dentro da cela-quarto, com a higienização dos espaços públicos, com o fechamento dos espaços de convivência e ação política; despersonalização do espaço físico e total alienação dos cruspianos dos organismos de decisão da administração do Crusp. O cruspiano deixou de ser uma pessoa atendida e passou a ser “administrado” como mais um número dentre outros números. As cartas impessoais, enviadas a rodo, com ameaças aos moradores, tornaram-se frequentes. São negritos e letras maiúsculas que esfregam artigos de leis e espalham o medo da perda de bolsas (das quais dependemos para estudar) e mantém os nervos de todos à flor da pele.

Nesse sentido, as propostas que nós apresentamos e/ou apoiamos visam o fim imediato do assédio moral sobre os moradores: Exigência do fim das ameaças da Coseas de corte de bolsas alimentação por conta de reprovações e fim da pressão por créditos mínimos para moradores; que os moradores tenham, pelo menos, os mesmos direitos que os demais estudantes da USP para cumprimento de créditos; transformação do térreo do bloco D em mais apartamento para mães; direito à moradia também para quem tem filhos pequenos.

Sobre a proposta de contratação de psicólogos, defendemos que nunca mais volte a haver exigência de tratamento psiquiátrico/psicológico como contrapartida à concessão de bolsas; que, ao invés de contratar psicológos-funcionários da Coseas, seja permitido a qualquer cruspiano que deseje, o direito à livre escolha de psicólogo/corrente psi. Se for um psicólogo particular, que a USP banque o tratamento.

As propostas apoiadas pela Crusp Popular foram:ir atrás de apoio de programas da Faculdade de Psicologia; contratação de psicólogos para atender exclusivamente aos cruspianos; melhorar as condições do atendimento que já acontece na Ágora; fazer sessões de psicodrama na sala 51; e, a proposta mais esdrúxula: a contratação de mais assistentes sociais e que estas sejam “capacitadas”, ou seja, formadas na área. Porque, segundo um membro da Crusp Popular, “são as assistentes sociais que administram as bolsas e se não tiver assistentes (suficientes) as bolsas não serão administradas e os cruspianos ficarão sem bolsas” [sic]. O problema é que nós sabemos que as assistentes sociais são controladas de perto pela burocracia nada democrática da USP. Aumentar o número de assistentes tende a aumentar o controle sobre os moradores e não a assistência a eles. Temos inúmeras denúncias de abusos (de autoridade?) e assédio moral cometidos pelas assistentes sociais do Crusp.

Houve unanimidade na reunião de que se aprovasse de imediato as propostas de consenso e se deixasse a decisão sobre propostas polêmicas, como a contratação de mais assistentes, para um segundo momento, para que se pudesse informar a todos os moradores e para que tivéssemos mais tempo para pensar e amadurecer uma decisão, a ser tirada em assembleia, onde todos pudessem participar. Questões polêmicas não podem ser decididas a toque de caixa. Mas o que vimos foi exatamente isso. Alguns companheiros da Crusp Popular decidiram que era preciso tirar já ali uma posição. Um chegou a propor que transformássemos a reunião em assembleia. Fomos contra, porque uma assembleia não é uma reunião qualquer. É o órgão máximo de decisão dos moradores. E é preciso que os moradores saibam com antecedência sobre a realização de uma assembleia. Então propuseram votar ali mesmo, na reunião, a inclusão da exigência de contratação de mais assistentes sociais. Essa posição “venceu” por 13 votos a 12.

Foi formada uma comissão para executar as decisões: protocolar um ofício à Coseas, organizar o ato e organizar o grupo de trabalho para amadurecer essas posições, ver prós e contras, até a realização da assembleia, no início do ano que vem.

Nossa batalha agora é divulgar amplamente as posições defendidas nessa reunião, chamar os cruspianos a integrarem o grupo de trabalho, pensarem a respeito a se inteirarem do que está envolvido nessas decisões para que possam tomar a melhor decisão na assembleia, assim que voltarem às aulas. Não devemos ter pressa. A polêmica sobre as assistentes sociais é um assunto que vem de longa data e que não se esgotará em uma reunião.