Declaração da AJR sobre a denúncia contra os estudantes da USP

Não ao processo, fim da perseguição política na USP e no movimento estudantil, ensino público e gratuito para todos e controle das universidades pelos estudantes

 Estudantes presos pela PM  (Foto: imagem retirada da internet)

O movimento estudantil da USP foi a ponta de lança de diversos movimentos nacionais como a luta contra a ditadura militar brasileira. Em 2007 iniciaram uma onda de ocupações das reitorias em protesto contra a política da burocracia universitária e o governo. Reitorias em todo o país foram ocupadas por estudantes de suas universidades.

Os estudantes se enfrentaram com a PM no dia 9 de junho de 2009 e a expulsaram. A tropa de Choque da PM estava na USP para impedir um piquete de greve dos funcionários.

No dia 27 de outubro de 2011 os estudantes se enfrentaram novamente com a PM que queria levar presos três estudantes. Logo depois ocuparam a diretoria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Na semana seguinte aprovaram a ocupação da reitoria para dar continuidade a luta contra a política repressiva do reitor-interventor João Grandino Rodas, colocado no cargo para entregar a USP aos capitalistas privados.

No dia 8 de novembro Rodas armou uma operação de guerra com canil, tropa de choque, cavalaria, Comando de Operações Especiais (COE) para prender 72 estudantes.

Mais de um ano depois, a promotoria pública assinou um pedido de denúncia contra os estudantes. A denúncia é pelos crimes de formação de quadrilha, posse de artefatos explosivos, danos ao patrimônio público, pichação e desobediência judicial.

Os estudantes podem ser condenados a oito anos de prisão. Uma ameaça contra todos os movimentos de luta e reivindicação do País. Uma condenação dessa natureza, sem provas e sem individualização dos supostos crimes abrirá um precedente para condenação dos movimentos de luta em larga escala.

Todas as acusações são absolutamente infundadas usadas exclusivamente para a perseguição política dos estudantes e do movimento estudantil. A acusação mais escandalosa e que expõe a todas as outras é a de formação de quadrilha.

O crime de formação de quadrilha prevê um vínculo estável ou permanente para o cometimento de crimes. Como se os 72 estudantes estivessem planejando e cometendo crimes e não ocupando uma reitoria com reivindicações políticas.

As fotos das manifestações mostram vários cartazes com palavras de ordem e reivindicações do movimento estudantil.

Está claro que estamos diante de um julgamento político e de uma “jogada casada” entre a reitoria e o governo do PSDB para intimidar os estudantes em todo o País.

Há poucas semanas a reitoria da USP aplicou penas leves contra os estudantes presos durante a reintegração de posse e o Ministério Público faz uma denúncia contra os 72 estudantes. A pena máxima foi a suspensão de 15 dias. Faz uma semana que os estudantes receberam as punições e em alguns casos a absolvição.

Agora essa promotora decide denunciar os estudantes.

Este caso coloca o problema de forma ainda mais clara uma vez que uma ação claramente política do movimento estudantil foi classificada como “vandalismo” e “formação de quadrilha”.

A Aliança da Juventude Revolucionária denuncia esse processo e chama todas as organizações democráticas a se incorporar à luta contra a perseguição política contra os estudantes da USP.

  • Não ao processo.
  • Pelo direito de manifestação.
  • Fora Rodas, fora a privatização da USP
  • Pelo fim de todos os processos contra o movimento estudantil.
  • Por uma universidade controlada pela comunidade universitária com maioria estudantil.
  • Pelo ensino público e gratuito para todos em todos os níveis.