Enchentes na USP e destruição do patrimônio público

No dia 14 de fevereiro, o campus da USP no Butantã ficou totalmente interditado devido a uma enchente. A entrada principal ficou alagada por horas e carros boiavam nos estacionamentos. As salas das unidades transbordavam água e vários móveis e equipamentos foram danificados, como os pianos e cadeiras do auditório da ECA.
As enchentes são constantes na Cidade Universitária. No entanto, não há nenhum projeto de canalização que as evite. Tanto a sub-prefeitura do Butantã, a Sabesp quanto a reitoria se isentam de culpa. O que ocorre, em consequência, é o agravamento dessa situação a cada nova chuva.
No Crusp, a chuva entra através de infiltrações nas paredes e janelas. Não existe nenhum projeto de manutenção dos prédios ou construção de novos blocos mais apropriados. Há apartamentos que possuem rachaduras que os dividem ao meio. Embora as infiltrações se agravem e as escadas de incêndio se despedacem, a última “manutenção” oferecida pela universidade limitou-se a pintar os corredores de branco, apagar as manifestações artísticas, políticas, religiosas e culturais das portas e pintar as fachadas com as cores da PM e do PSDB. A vida de todos que frequentam o campus, em particular os moradores do Crusp, fica ameaçada a cada nova chuva.
Nas Letras, as salas de aula possuem goteiras, chegando ao ponto de um teto já ter cedido num dia de chuva. Além disso, a reitoria derruba os barracões, como o do Núcleo de Consciência Negra, em pleno funcionamento de suas atividades, inclusive com pessoas no seu interior. Em dezembro, tratou de demolir um espaço cultural dos estudantes, o Canil da ECA, sem nenhuma prévia discussão. A universidade acusa os estudantes que ocuparam a reitoria de depredação de patrimônio público, apenas por terem quebrado uma fechadura do portão traseiro da reitoria, porém ela mesma – além de diretamente destruir – negligencia qualquer medida de preservação de suas edificações, o que é verdadeiramente preocupante como dano aos bens da universidade pública.