A demolição do Canil e o método de Rodas

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No dia 22 de dezembro, o reitor João Grandino Rodas ordenou a destruição do Canil. O espaço foi ocupado pelos estudantes em 2006 e era usado para a realização de festas e eventos culturais. Não houve nenhum diálogo com a comunidade universitária a respeito do assunto.

O prédio que foi construído para servir como casa de máquinas, foi adaptado para abrigar os cães que circulam pela USP. Em 2006, foi abandonado pela reitoria que julgava não ser de responsabilidade da universidade. No mesmo ano foi ocupado pelos estudantes.

O espaço era usado para fazer exposições, shows e festas, entre elas a Quinta & Breja, uma das mais famosas festas da USP que acontecia todas as quintas.

A tentativa de destruir o local não é nova, Rodas já havia começado em 2010, mas foi barrado pelos estudantes que protestaram. Com isso, esperava-se que a reitoria fosse negociar com os estudantes, mas esta apenas esperando o momento mais propício.

De acordo com nota da USP, a demolição faz parte do projeto de “reurbanização” do prédio da administração, para onde a reitoria deve voltar.

Novamente a reitoria espera o momento em que os estudantes menos esperam para ataca-los. Rodas não tem coragem de tomar medidas contra os estudantes quando estes esperam ou estão mobilizados.

A maioria dos últimos ataques da reitoria foi feito nestas condições. Em dezembro de 2010, também próximo do natal, 270 funcionários foram demitidos. Na mesma época do ano seguinte, ocorreu a eliminação de oito estudantes.

A situação foi parecida, também, nas reintegrações de posse da ocupação da Reitoria e da Moradia Retomada. Na primeira, os estudantes foram surpreendidos na madrugada do dia 8, em uma verdadeira operação de guerra, com 400 policiais. A reintegração foi feita mesmo havendo uma reunião de negociação para o dia seguinte.

Já no caso da Moradia Retomada, os estudantes foram surpreendidos no feriado de carnaval. As duas situações são ilegais, a reintegração não poderia ocorrer de madrugada nem em pleno feriado.

O modus operandi ainda se repete em outras situações, como o fechamento do espaço do DCE e a laje do prédio do meio da FFLCH feito para impedir o acesso ao porão, usado por estudantes.