Opinião – Diretoria do DCE é o maior obstáculo para a luta contra Rodas

As gestões ligadas ao PSTU e Psol se colocaram sempre em oposição à luta contra Rodas e, nesta calourada, dão mais uma mostra de mantêm a mesma posição. Sua política e a confusão que causa no meio dos estudantes é o maior obstáculo a esta luta

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) deveria servir para organizar a luta estudantil, mas na USP, a chapa Não Vou Me adaptar, composta pelo PSTU e Psol, usa a entidade exatamente para barrar esta luta. Eles foram contra as principais iniciativas do movimento, agindo sempre em favor da reitoria e tentando bloquear a ação dos estudantes.

Em relação ao ponto mais importante da política dentro da USP neste momento, o processo contra os 72 presos da reintegração de posse da reitoria em 2011, o DCE mais uma vez mostra qual é a sua posição. Sobre o assunto, tudo que o DCE fez foi emitir uma nota de repúdio, onde usam o fato para enfiar goela a baixo dos estudantes a falsa pauta de reivindicações da gestão, a “democracia” na USP.

A suposta luta pela democracia, de acordo com o DCE, se daria através de um falso plesbicito pedindo para votar para reitor. Esta reivindicação sequer é do movimento estudantil, mas é colocada pelo PSTU e Psol em diversas universidades e, naquelas que foi aprovado, o modelo já é repudiado pelos estudantes. Nada dizem do Fora Rodas, da sua política de privatização da USP e da retirada da PM do campus.

É importante lembrar que o DCE também se opôs a toda luta contra a polícia no campus. No dia 27 de Outubro, quando três estudantes foram presos na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas ocorreu uma manifestação contra as prisões que levou à ocupação espontânea da FFLCH, membros do PSTU e Psol tentaram de todas as maneiras acabar com o protesto, chegando a fazer uma corrente para impedir que os estudantes entrassem no prédio onde os policiais prendiam seus colegas. Ajudaram ainda a escoltar os três para serem levados à delegacia.

Na assembleia que ocorreu logo em seguida, membros do DCE e de Centros Acadêmicos controlados por estes mesmos partidos, se colocaram contra a ocupação do prédio da diretoria da FFLCH, já realizada, uma medida claramente de desmonte do protesto contra a reitoria. À época, surgiram documentos que mostrava o envolvimento destas entidades com a direção da universidade, entregando informações importantes sobre a ocupação.

Durante a ocupação foi feita uma nova assembleia para votar a saída da diretoria da FFLCH e a ocupação da reitoria. O DCE conseguiu, por meio da confusão decidir o fim da ocupação do prédio da diretoria da FFLCH. Ocorre que muitos que haviam votado a desocupação da FFLCH acreditavam que seria decidida a ocupação da reitoria, um ato de maior importância. A única função política da desocupação era a defesa da reitoria e a liquidação a luta contra a presença da PM, uma vez que era grande o entusiasmo pela ocupação. Antes de votar a ocupação da reitoria, porém colocaram em votação uma nova tentativa de impedir o movimento: “continuar a assembleia e discutir a ocupação da reitoria” contra “continuar a assembleia e discutir um calendário de lutas”, esta última proposta vazia defendida pela diretoria do DCE. Perderam a votação e se retiraram, desligando a aparelhagem de som em um brutal golpe antidemocrático contra a assembleia e o movimento de ocupação e de protesto contra a presença da PM. A maioria da assembleia, no entanto, revoltada, recusou-se a a aceitar o golpe. Manteve-se a assembleia sem a diretoria golpista e em seguida por esmagadora maioria a assembleia votou ocupar a reitoria, o que foi feito. Além de divulgar a mentira de que a ocupação não era legítima, dando argumentos para a direita atacar os estudantes, o DCE chegou até mesmo a participar de ato pedindo o fim da ocupação. Em momento algum nem Psol nem PSTU apoiaram os estudantes em luta, mesmo ameaçados pela ocupação policial. No dia da desocupação e nos dias anteriores, a imprensa policialesca e de direita repetiriam mil vez que a ocupação era um ato de malucos, baderneiros e maconheiros que “não respeitavam nem as decisões das assembleias”.

Após a reintegração de posse e a prisão dos 72 estudantes, PSTU e Psol tentaram também impedir a greve, em protesto contra as prisões. Mais uma vez, o movimento teve que passar por cima destes decretando a greve.

Durante todo o ano de 2012, a gestão “Não Vou me Adaptar” (Psol e PSTU) não realizou mobilização ou ação alguma pelo fim dos processos administrativos contra os estudantes. Eles tentaram trocar toda a luta imposta para o momento pelo plebiscito pela democracia na USP, que não serviu para nada.

Durante as férias, houve diversos novos ataques de Rodas aos estudantes, como a desocupação policial do antigo prédio do DCE, onde um estudante foi ameaçado por um policial de arma na mão sem fazer nada, a reintegração de posse de apartamentos do Conjunto Residencial da USP (CRUSP) e a derrubada do Canil, espaço estudantil usado para eventos culturais e o fim de linhas de ônibus que levam à USP. Foi descoberto um sistema de vigilância por câmeras clandestinas instalado por Rodas para incriminar os estudantes. Novamente, o DCE sequer chamou um ato.

Agora, com esta denúncia judicial contra os membros da ocupação, o DCE também não faz nada. Os processados planejam fazer uma ampla campanha de denúncia, para repudiar a denúncia como algo político, mas o DCE sequer se dispõe a apoiar a luta.

Mais uma prova de que a direção do diretório atua em prol da reitoria, e não dos estudantes é a calourada unificada que este está organizando. Além de não constar entre as atividades e debates o tema dos processos ou os demais ataques à universidade e o movimento que luta por ela, o DCE não colocou nenhum processado nas mesas de debate.

Enquanto isto, em todas haverá representantes dos professores e em uma delas, até o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas, do qual o reitor João Grandino Rodas é presidente, terá lugar em uma das mesas.

Fica claro que o DCE está a serviço da reitoria. A calourada que deveria ser uma apresentação para os estudantes do que é a universidade, terá a versão dos docentes e da reitoria, mas não dos estudantes perseguidos.

 

DCE não é o único

 

Cada vez mais, o DCE se mostra como um elemento para frear a luta dos estudantes, mas ele não é o único. A maior parte dos CAs também são controlados por estes partidos ou outros que fazem a mesma política, de travar a luta em prol da direção da universidade através de eleições manipuladas.

A diretoria da Associação de Moradores do CRUSP (Amorcrusp) também tem se colocado claramente contra a organização dos estudantes que são mais atacados pela cabeça da universidade. A associação é vista hoje como uma zeladoria, resolvendo problemas pontuais e prestando serviços como aluguel de equipamentos, vídeos e bicicletas.

Enquanto isso, diversos estudantes são expulsos pela Superintendência de Assistência Social (SAS) que ameaça os moradores até mesmo por baixo rendimento no curso.

Há ainda, denúncias de que a SAS funciona como um aparelho de espionagem, havendo documentos que mostram que a vida de alguns estudantes é totalmente controlada.

Os estudantes precisam retomar estas organizações para avançar a luta contra a ditadura imposta e a privatização das universidades. O primeiro passo é o de compreender que um importante apoio para as ações fascistóides de Rodas e do PSDB contra os estudantes são as diretorias das organizações estudantis de um modo geral, com raras exceções.

Paulo Coelho

Estudante da Letras,
militante do PCO