No ato contra os processos, os processados são excluídos de falar

Liderança do Psol que apoiou Serra no 2º turno, falou no ato dos processados.
Liderança do Psol que apoiou Serra no 2º turno, falou no ato dos processados.

O DCE da USP, cedendo as pressões realizou, na noite do dia 27, dia de calourada unificada, um ato, supostamente em defesa dos 72 estudantes da USP que estão sendo processados pelo Ministério Público.

Feito a toque de caixa, anunciado uma semana antes da calourada, muito tempo depois de toda a programação feita, com cartazes e todo o material de propaganda, o ato serviu para a direção do DCE, Psol/PSTU utilizarem a luta dos estudantes contra os processos e a luta da ditadura na universidade como palanque eleitoral destes grupos.

O ato reuniu, principalmente, representantes destes dois grupos políticos entre sindicalistas da CSP Conlutas, membros da juventude do Psol da UNE e do PSTU, da Anel e os parlamentares e figuras públicas do Psol. Membros do Sintusp, o presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), a deputada Leci Brandão (PCdoB-SP) e o professor Souto Maior também estavam presentes.

Já o espaço destinado aos maiores interessados, os processados, praticamente não existiu. Foram dados apenas cinco minutos para que os estudantes processados pudessem falar no ato que tinha o intuito de defende-los. Estes cinco minutos foram divididos por três estudantes processados.

Já o grupo do DCE foi representado na maioria das falas. Os estudantes processados sequer tiveram uma cadeira na mesa do ato que ficou tomada pelos “ilustres” convidados.

Nem mesmo os estudantes presentes que estavam no anfiteatro da História, local onde se realizou o debate tiveram chance de falar, já que o ato durou pouco mais de uma hora e precisava ser encerrado, pois o show da calourada tinha que começar.

A direção do DCE da USP usou mais uma vez a luta dos estudantes para fazer um palanque eleitoral de figuras que nunca apoiaram esta luta, como a UNE e o próprio Psol. Uma dessas figuras é o Plínio de Arruda Sampaio que além de ter se pronunciado contra a ocupação da reitoria, em ato realizado pelos estudantes na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, logo depois da desocupação da PM do prédio da reitoria em 2011, também é fã de carteirinha do ex-governador de São Paulo, José Serra, principal responsável pela repressão na USP, pois foi ele quem colocou Rodas no poder.

No segundo turno das últimas eleições para a prefeitura de São Paulo, no ano passado, Plínio de Arruda declarou em seu twitter que entre Serra e o candidato do PT, Fernando Haddad “preferia Serra”, declarando inclusive que era amigo do ex-governador do PSDB e que votaria nele caso a decisão do Psol não fosse contrária.