Por que a USP?

A denúncia feita pelo Ministério Público no último dia cinco de fevereiro, pela promotora Eliana Passarelli, incriminando 72 estudantes que ocuparam a reitoria da USP é evidentemente uma perseguição política contra estes militantes que estavam protestando e defendendo a universidade pública e gratuita.
O ataque aos estudantes da USP tem um sentido mais geral que visa inibir o movimento político na mais importante universidade brasileira, mas garantir a implementação da política de privatização do reitor João Grandino Rodas auxiliado pelo governo paulista do PSDB.
A USP não é somente a universidade mais importante do Brasil e da América Latina, reconhecida mundialmente pelos rankings de qualidade de ensino e pesquisa, mas é também um dos principais centros políticos do País.
É da USP que saíram ministros, prefeitos e até presidente da República. A importância política da universidade é notória. Basta observar que qualquer acontecimento de maior envergadura que acontece na USP é noticiado e debatido nacionalmente por meio da imprensa e também pela população como um todo.

O movimento estudantil da USP esteve presente nos principais acontecimentos políticos brasileiros, com destaque para a luta contra a ditadura militar no final da década de 1970. A USP foi o centro da resistência estudantil contra o regime ditatorial. A primeira manifestação de rua contra a ditadura militar foi uma iniciativa dos estudantes da USP que não ficaram intimidados pela repressão policial e saíram às ruas chamando a população a gritar “Abaixo a Ditadura!”.
Nos últimos anos o movimento estudantil da USP vem liderando uma onda de protestos contra a ditadura existente nas reitorias. Em 2007 a ocupação da reitoria da USP, que durou nada menos que 51 dias, desencadeou uma onda de ocupações em mais de 30 universidades em todo o País. A repressão vivida pelos estudantes da USP é sentida pelos demais estudantes das universidades públicas, como é o caso dos estudantes da Unifesp e também das universidades privadas, como é o caso da PUC-SP, onde a reitora foi escolhida de forma totalmente arbitrária pelo cardeal Odilo Scherer, a exemplo do que aconteceu com a escolha de Rodas.
O ataque do MP à USP é uma continuação do ataque que o reitor interventor João Grandino Rodas já estava fazendo contra os estudantes e funcionários.  A luta dos estudantes da USP é a luta contra a ditadura na universidade expressa na presença da PM no campus e na proibição de qualquer tipo de manifestação política, seja um piquete, uma greve, uma ocupação e até mesmo uma panfletagem ou colagem de cartaz.
A luta do movimento estudantil da USP é também contra a privatização que está sendo colocada em marcha pelo PSDB por meio do reitor João Grandino Rodas. Esmagar a resistência na USP abriria um caminho enorme para o mesmo ser feito em escala nacional nas demais universidades e ampliar o plano de privatização do ensino público brasileiro.

Estes estudantes que estão sendo ameaçados de prisão por lutar pelo ensino público e gratuito expressam o movimento de luta contra a privatização da USP, contra a invasão da PM e da intervenção do PSDB na universidade. Expressam a luta de milhões de estudantes em todo o País contra a destruição do ensino público e da ditadura que se tornou as universidades. Por isso devem ser defendidos por todos incondicionalmente.

Um comentário

  1. É necessário que se articule e se divulgue, a luta dos estudantes da USP ao movimento operário brasileiro. Neste sentido, é importante que os estudantes organizem mecanismos onde facilite, uma maior aproximação com os trabalhadores e a juventude operária das periferias. Dessa forma, romperia em parte o cerco imposto pela midia dos monopólios contra os estudantes, explicando à população trabalhadora o caráter até antimperialista desta luta. Abraços!

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