Processados da USP fazem único ato-debate sobre a perseguição política da calourada

_MG_8909Nesta quarta-feira, dia da calourada unificada, os alunos processados fizeram um ato-debate para discutir e esclarecer os calouros sobre as perseguições políticas na USP e aos movimentos sociais em geral, que têm como ápice a denúncia aos 72 processados da USP. Estiveram presentes dezenas de processados da USP, da ocupação da reitoria e da moradia retomada, da Unifesp e Unesp, além de diversos apoiadores.

O ato ocorreu na Ágora, do lado do bandejão central, das 11 às 14 horas e contou com a presença de centenas de estudantes que pararam para acompanhar o debate.

Os debatedores esclareceram, entre outras coisas, toda a história da ocupação, desde o dia 27 de Outubro de 2011, quando os estudantes se rebelaram contra a PM, após a prisão de três estudantes no prédio de História. Isto foi o estopim da revolta contra a repressão no campus que aumentou muito após o início do convênio da Polícia Militar na USP. A direção do DCE, mesmo neste momento se colocou contra a mobilização, fazendo uma corrente para impedir que a manifestação entrasse no prédio da FFLCH, onde os três jovens foram levados para serem coagidos pela direção da faculdade para fazerem o boletim de ocorrência.

_MG_8931Neste mesmo dia, os estudantes decidiram pela ocupação da direção da FFLCH, passando por cima do Psol e PSTU, por achar que esta era a responsável por permitir que os policiais levassem os três detidos à delegacia. Nesta ocupação, os estudantes perceberam que não se limitava à faculdade de humanas, mas a toda a USP.

Foi feita uma assembleia para decidir pelo fim da ocupação da FFLCH e pela ocupação da reitoria. O DCE, dirigido por Psol (MES) e PSTU, em um golpe contra o movimento estudantil, abandonou a assembleia após a votação pelo fim da primeira ocupação, para tentar impedir que fosse decidida pela ocupação da reitoria. Os estudantes presentes continuaram a assembleia e decidiram pela ocupação.

Foi ressaltado no debate que esta ação da diretoria do DCE serviu de argumento para a direita atacar a ocupação da reitoria e permitir que o Rodas fizesse a desocupação daquela forma.

Os companheiros da Unifesp e da Unesp mostraram que a situação da USP se repete em diversas universidades e que a luta contra esta perseguição deve ser unificada.

_MG_8945Esta foi a única atividade na calourada com a participação efetiva dos processados. O DCE não pretendia fazer nada sobre os processos, que é o principal fato político do momento, e só organizou um ato de última hora após muita pressão sobre o assunto, mesmo neste, que foi uma completa farsa, os processados só tiveram cinco minutos para falar, ou seja, que foi um ato para políticos burgueses fazer demagogia com uma luta que nunca apoiaram e fazer campanha eleitoral. O resto do tempo serviu de palanque para políticos ligados às correntes que compõem o DCE (PSTU e Psol).

Diferente dos debates burocráticos organizados pelo diretório, o feito pelos processados não determinou limites para as falas e deixou o espaço aberto para a intervenção dos processados, dos calouros e demais presentes. Houve até a apresentação de uma moção enviada pelo sindicato dos professores estaduais do Rio

A iniciativa foi muito importante para colocar o debate que está sendo abafado pela direção do DCE. Ficou colocado, com isto, a necessidade dos próprios processados, em conjunto com aqueles que querem de fato fazer algo contra estes processos, se unirem para fazer uma ampla campanha política.