A luta contra o processo aos 72 é a luta contra todos os processos

A partir da acusação da promotora Eliana Passarelli contra os 72 presos da desocupação da reitoria em 2011, a luta contra os processos ganhou força, pressionando diversos setores a se posicionar contra este ataque. A gravidade da acusação do Ministério Público, imputando os crimes de formação de quadrilha, posse de explosivos, depredação do patrimônio público e desacato à ordem judicial, determina pena máxima de oito anos para os estudantes, caso sejam condenados.
A denúncia do MP ocorreu logo após a conclusão dos processos administrativos que puniu parte dos presos com suspensão por até 15 dias e chegou a absolver outros. Isto foi uma jogada casada entre a reitoria e o MP para passar a perseguição aos que lutam para fora da USP e tirar o foco do reitor que já está muito queimado, ainda aumentando a proporção do ataque. Toda esta situação evidencia o caráter político deste novo processo criminal que deve ser aberto e que precisa ser combatido com uma ampla campanha política.
Esta é a maior ameaça ao movimento estudantil, não só da USP, mas de todas as universidades em que há a perseguição àqueles que lutam. Em resposta a este novo ataque, já foram lançadas dezenas de notas de sindicatos, entidades dos movimentos sociais, declarações de políticos etc. Até mesmo o DCE, que em todos os momentos – desde a mobilização do dia 27 de Outubro de 2011 até as ocupações da FFLCH e da Reitoria – se opôs ao movimento, tiveram que se pronunciar em apoio aos processados.
Na Calourada Unificada, a direção do DCE, composta pelo Psol e PSTU, pretendia ocultar por completo a questão dos processos, não colocando os processados em nenhuma mesa e nem criando um debate sobre o assunto. Após os processados organizarem um ato independente, com a participação aberta para todos, o DCE se viu obrigado a pautar a questão, transformando a aula magna, que deveria ser realizada pelo professor Vladimir Safatle em um ato debate contra os processos. Mas mesmo este ato foi usado unicamente como palanque para os partidos que compõem a direção da entidade, que deram apenas cinco minutos para os processados falarem.

Ampliar a luta contra os processos

Não são só os 72 que estão sofrendo processos, isto se repete na USP e em diversas universidades em que os estudantes se levantaram contra os ataques ao movimento e à própria universidade. Na própria USP são mais de cem processos. Além da desocupação da reitoria, há também os estudantes presos na reintegração de posse na Moradia Retomada; todos os diretores do Sindicato dos Trabalhadores da USP sofrem processos; entre outros.
Na Unifesp, são ao todo 90 processos, entre criminais e internos da própria universidade. As acusações são bem parecidas às da USP. Na Unesp, UFMG, UNB UFES e várias outras universidades, os estudantes também são alvo de processos.
A campanha contra os processos aos 72 deve ser encabeçada e transformada em eixo de luta contra todos os diferentes processos. O processo contra os 72 é o que está mais em evidência, devido à sua importância política e uma  derrota nesse caso, significaria uma derrota fundamental da política repressiva da direita.