Como as universidades paulistas estão sendo privatizadas

Há anos a USP, Unicamp e Unesp vem sofrendo uma série de ataques que fazem parte do processo de privatização destas. Principalmente depois da rejeição popular às privatizações, os seguidos governos tucanos não conseguem privatizar facilmente, então isto tem se dado aos poucos.

Para conseguir implementar este plano, o governo está atacando, principalmente, o movimento estudantil, por ser a principal resistência ao projeto, mas também os trabalhadores e professores; tirando os investimentos de determinadas áreas, para alegar que não é viável ao estado manter sozinho instituições tão grandes; ao mesmo tempo abre espaço para fundações lucrarem com a criação de cursos pagos, utilizando a estrutura destas universidades, entre outras coisas.

Aqui na USP, o ataque aos movimentos deve ser o maior e mais claro, dentre as três. São centenas de funcionários e estudantes sofrendo processos, administrativos e criminais. Rodas já demitiu diversos funcionários, entre eles Claudionor Brandão, diretor do Sintusp que não poderia ser demitido, além do avanço da terceirização, que já é em si uma forma de privatização e dificulta na mobilização dos trabalhadores. O ápice deste ataque foi a denúncia do Ministério Público, acusando os 72 presos da ocupação de 2011 de formação de quadrilha, posse de material explosivo, desacato à ordem judicial e depredação de patrimônio público.

Recentemente, o reitor afirmou que 93% do orçamento de R$ 4,3 bilhões da USP de 2013 será gasto com a folha de pagamento, devido ao menor repasse feito pelo governo e, supostamente, o aumento no número de aposentadorias. A solução que o reitor apresenta é justamente parte da privatização. “Dessa forma, precisando mais do que recebe, a universidade do Estado deve recorrer a outras fontes e a iniciativa privada seria apenas uma delas”, afirma Rodas.

A falta de verbas é claramente uma farsa, usada pelo governo para justificar a entrega destas universidades para a iniciativa privada que não investirá sem que algo seja dado de volta. As universidades públicas paulistas terminaram 2012 com R$ 6 bilhões em caixa, há ainda R$ 1,2 bilhão da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado) que poderia ser repassado para estas, também.

Deste montante, a USP tem acumulado em caixa R$ 3,4 bilhões que, se somados ao que será repassado este ano, daria R$ 7,7 bi. Certamente este valor é mais do que o suficiente para a USP se manter e ainda ampliar vagas, investir em infraestrutura etc.

Enquanto isso, as declarações de Rodas são sempre de que a USP seria insustentável, sendo necessário até mesmo acabar com determinados cursos, criar  cursos pagos e abrir para investimentos externos.

Como prova de que esta é a única maneira de manter a universidade, a reitoria procura mostrar a Poli e a FEA, onde há mais fundações e que elas suspostamente ajudariam a manter a qualidade da universidade. Em oposição, a ECA, FAU e FFLCH estão em situação calamitosa, não resistindo até mesmo à chuva.

Na ECA, recentemente houve uma inundação que destruiu equipamentos e poderia ter sido evitada com o investimento na prevenção e na melhora do escoamento da área; enquanto a FAU, FFLCH e o CRUSP, estão repletos de goteiras e infiltrações.

Visto a quantidade de dinheiro em caixa na USP, será mesmo que o problema é a falta de verbas? É claro que não. Não é preciso bilhões para resolver estes problemas, mas Rodas se recusa a investir.