Por que Rodas decidiu não expulsar os estudantes

As pequenas punições que foram dadas pelo reitor da USP aos estudantes que se mobilizaram, mostram uma clara tentativa em sair de cena para preparar uma reeleição.

O resultado dos processos administrativos contra os estudantes que ocuparam a reitoria e a moradia do Bloco G do CRUSP com punições que vão de 5 a 15 dias e a absolvição de outros demonstra a intenção do reitor de sair da linha de frente do ataque contra o movimento estudantil.

Rodas é o principal agente na repressão contra os movimentos reivindicatórios dentro da USP. Demitiu mais de 200 funcionários, está processando os diretores do sindicato e persegue insistentemente os estudantes, com processos, prisões, advertências.

São mais de duzentos processos que vão desde a ocupação da reitoria e da moradia retomada do CRUSP, passando por estudantes que fizeram uma manifestação no bandejão central ou simplesmente que nem estavam participando diretamente destas mobilizações.

A decisão final em punir ou não os estudantes foi do reitor-interventor que mesmo com a indicação de punição de até um ano de suspensão, indicada por algumas comissões de inquérito instauradas para os processos administrativos, Rodas preferiu a “pena” menor para evitar uma reação maior ainda por parte dos estudantes.

Em quase quatro anos de mandato, a figura de Rodas foi atacada de todos os tipos desde ridicularizada em charges e piadas difundidas em toda a comunidade acadêmica até de ataques vindos da própria burocracia universitária, como o “título” de “persona non grata” concedido pela Congregação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, unidade a qual Rodas teve o cargo de direção em uma gestão bastante conturbada.

Mesmo antes de assumir o cargo, que foi conseguido por meio da escolha do então governador José Serra, já que tinha sido o segundo colocado na lista tríplice, Rodas já era alvo da campanha “Fora Rodas!”, que era organizada por estudantes contra ele.

Sua posse ao cargo, que estava marcada para acontecer dentro do campus Butantã, em dezembro de 2009, foi desmarcada e transferida para o dia 25 de janeiro de 2010, período de férias escolares, para um local fora da USP, a Sala São Paulo, no centro da cidade, com acesso restrito, somente a convidados.

A impopularidade do reitor perdura em toda sua gestão e ele nunca foi visto em uma atividade pública dentro da USP que contasse com a presença de estudantes.

Toda esta oposição ao reitor só foi aumentando à medida que aplicou a repressão em larga escala dentro da universidade. Agora em fim de mandato e com possibilidade de se reeleger para levar a cabo o projeto do PSDB de privatização da USP, Rodas está se resguardando, saindo um pouco de cena na tentativa de tentar diminuir os ânimos que envolvem sua pessoa.

 A escolha em punir de maneira branda os estudantes foi bem pensada e visa tentar restabelecer a imagem do reitor, algo bastante difícil. Os estudantes devem ficar atentos, pois a ditadura do reitor interventor ainda continua e sua reeleição poderia levar a USP para uma crise maior ainda.