Contra repressão policial e por moradia, estudantes ocupam reitoria da UFMT

Durante uma manifestação por moradia estudantil em Cuiabá, na última quarta-feira, dia seis, os estudantes da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) foram brutalmente reprimidos pela Polícia Militar. Parte dos estudantes, assim como de seus advogados, foi preso e sofreu agressões dentro da delegacia.

A reitoria da universidade havia anunciado o fechamento de cinco casas do estudante, que serve de moradia para mais de 50 universitários, sem oferecer qualquer alternativa. Menos de 1% dos mais de 10 mil estudantes têm acesso às vagas, mas mesmo assim o plano da reitoria é de diminuir ainda mais.

No meio da manifestação, a ROTAM (Ronda Ostensiva Tática Móvel), tropa de elite da Polícia Militar do estado, disparou com bala de borracha à queima-roupa contra os estudantes. Pelo menos dez estudantes ficaram feridos, entre eles um que levou um tiro no rosto, um jovem que levou vários disparos, e uma garota que teve o braço quebrado, muitos deles foram parar no hospital e outros seis foram detidos.

Após serem detidos, os manifestantes sofreram a típica tortura psicológica dos policiais, xingando-os, fazendo acusações etc. Os que estavam feridos só foram levados para fazer os curativos quatro horas depois de detidos.

Uma das advogadas relatou que pediu para acompanhar os estudantes, mas um PM negou, xingando ela e afirmando que ela não tinha direito ali, pois quem mandava era ele. Após insistir, o policial quebrou a porta puxou para dentro e decretou a prisão da advogada. “Ele me prendeu por desacato à autoridade, mas ele quebrou a porta e disse que eu estava lesando o patrimônio público”, relata a advogada.

Devido à repercussão da ação da PM no protesto, o comandante da base comunitária da PM, da área da manifestação, foi exonerado do cargo e dois policiais reconhecidos nos vídeos gravados por estudantes no dia do ocorrido foram afastados das funções até o fim do procedimento de investigação do caso.

Em resposta ao ocorrido no dia da manifestação, mais de 500 estudantes da UFMT ocuparam a reitoria no dia seguinte. Os estudantes reivindicam a manutenção das casas dos estudantes, a construção de mais moradia, além da construção de mais Restaurantes Universitários, com a manutenção do valor de R$ 1,00 e o funcionamento aos finais de semana.

Durante a ocupação, os estudantes puxavam gritos de guerra contra a reitora, por ela ter chamado a PM para reprimir a manifestação. Havia ainda faixas e afirmações contra a PM e a privatização da universidade.

A forte repressão ao movimento estudantil na UFMT mostra, mais uma vez, que o problema vivido na USP é geral. É preciso apoiar esta luta e avançar aqui na USP, pela retirada da PM e pelo fim da privatização, pois a mobilização na USP pode impedir os ataques aos estudantes em todo o País.