Quem paga a banda…

A atual gestão do DCE Livre da USP, Não Vou Me Adaptar (PSOL, PSTU), se vangloria do imenso destaque que dá à luta contra o machismo dentro e fora dos campi da USP. Basta entrar no site da entidade http://www.dceusp.org.br para encontrar, por exemplo, as notas de repúdio ao Miss Bixete e ao IntegraPoli  (atividades de recepção de calouros onde ocorreram práticas machistas, recentemente). Por isso, foi com espanto que li o artigo anônimo intitulado “Meu Relato Sobre a Festa da Calourada Unificada do DCE” publicado na edição 91 deste jornal.

Além da completa falta de organização e de respeito com alguns artistas convidados e da submissão do evento à burocracia universitária o artigo destaca a canção de uma das bandas que se apresentaram: Rafael Castro e Os Monumentais, onde a letra continha explicitamente o desejo de um homem deixar uma mulher de tal modo alcoolizada que seria possível ter relação sexual com esta sem seu consentimento, algo popular e criminalmente denominado estupro!

Pergunto se haverá por parte do DCE algum tipo de retratação aos que tiveram que ouvir esse tipo de música em um evento promovido por uma entidade que se coloca tão contrária a esse discurso de apologia à violência contra a mulher. Seria louvável, já que retratar-se é algo muito raro em quase todas as organizações que atuam no movimento estudantil e deixaria a impressão de que houve um erro, não uma contradição.

Como diz o conhecido ditado: Quem paga a banda escolhe a música, a entidade é responsável pelo conteúdo dos eventos que promove. A ofensa feita por essa banda na calourada não é muito pior do que o ocorrido na Poli ou em São Carlos e também merecia, no mínimo, uma nota de repúdio.

Antonio Netto, estudante de Letras