SAS expulsa do CRUSP estudante com filho pequeno e aloja guardas universitários no mesmo apartamento

Em dezembro de 2011, o reitor João Grandino Rodas expulsou seis estudantes da USP pela ocupação do térreo da Coseas (Coordenadoria de Assistência Social – atual SAS), a Moradia Retomada. Esta eliminação acarreta em impedir que o estudante tenha qualquer ligação com as universidades estaduais por 10 anos.

A ocupação ocorreu por mais vagas no CRUSP, ocupando o térreo do bloco G que foi tomado pela reitoria para ser usado pela Coseas. A ocupação durou cerca de dois anos e servia de moradia para estudantes que não conseguiam vaga no CRUSP, havendo até mesmo intercambistas que só conseguiam ficar aqui devido à ocupação.

A reintegração de posse do local se deu no feriado de carnaval, de forma completamente ilegal. 47 estudantes foram presos no local e estão sofrendo processos por isso. Apenas seis foram eliminados, por serem “recorrentes”.

O local foi fechado e até hoje não está em uso, apesar da promessa de transformar o térreo em alojamento.

Devido à todas as arbitrariedades, fez com que a justiça revertesse duas das eliminações e os outros ainda estão com processo correndo, para reverter a situação. Mesmo assim, os eliminados que insistiram em continuar na USP sofreram perseguições.

O caso mais importante foi o da estudante Amanda, junto com seu filho de um ano, que após o fim da Moradia Retomada foi morar junto ao seu namorado, no ap. 102 do bloco A do CRUSP. Mesmo podendo reverter judicialmente o processo, a reitoria a expulsou da moradia.

No começo de janeiro deste ano, a reitoria colocou a PM para fazer a reintegração de posse do apartamento. O apartamento foi desocupado, mesmo com estudante morando de forma regular no local.

Desde então, o apartamento está ocupado pela Guarda Universitária, que faz vigília 24 horas no apartamento. Um local que deveria servir de moradia para os estudantes agora serve como guarita para uma guarda que está a serviço da reitoria.

Lucio Falsi

Estudante de Letras