Algumas considerações a respeito das nossas assembleias

Como funciona a assembleia atualmente:
1 – Constitui-se uma mesa com dois ou três membros do DCE. Essa mesa controla as falas, a organização da assembleia, o encaminhamento das propostas e a votação das mesmas
2 – O tipo de assembleia proposto pelo DCE é dividido em três partes: informes, falas e defesa e votação das propostas
3 – Dá-se início à assembleia geralmente com uma rodada de informes de um minuto, que dura cerca de uma hora
3 – Após isso abre-se a inscrição para falas. O DCE inscreve todas as pessoas que ele levou à assembleia, inchando artificialmente a lista.
4 – Após verificar que há mais de 100 inscritos (independentemente do fato de a assembleia ter 200, 300 ou 600 pessoas), o DCE propõe reduzir o número de falas, alegando a impossibilidade de que todos falem devido ao tempo
5 – No corte, cujo objetivo é chegar a 20 ou 25 falas de dois minutos, o DCE, por ter inscrito o maior número de pessoas inicialmente, obtém a esmagadora maioria das falas. Os militantes de outras organizações que não estão na gestão recebem de uma a três falas. No máximo mais duas falas são destinadas aos estudantes sem partido
6 – O bloco de falas demora cerca de uma hora e meia
7 – As propostas são enviadas por escrito à mesa pelos estudantes durante as falas
8 – Após as falas, o DCE abre para defesa e votação das propostas
9 – Como as propostas só começam a ser discutidas três horas após o início da assembleia, o DCE faz uma seleção das propostas que lhes interessa para que sejam votadas
10 – As pessoas que apresentam as propostas (lembrando que muitas delas sequer conseguiram falar na assembleia até aquele momento), têm dois minutos para defendê-las
11 – O DCE confere as votações por “contraste”, isto é, no “olhômetro”. Mesmo quando as votações são apertadas, eles se recusam a contar os votos e, mesmo na dúvida, declaram a votação favorável a eles
12 – A assembleia geralmente vota cerca de três ou quatro propostas e é encerrada sem que a maioria das propostas seja sequer lida e com metade das pessoas que estavam no início

Como a assembleia deveria funcionar:
1 – A assembleia inicia com a eleição da mesa pelos participantes, que podem escolher os que vão organizar a assembleia, com base nas experiências anteriores para que seja mais bem encaminhada
2 – Abre-se para informes de um minuto, que duram cerca de uma hora
3 – Durantes os informes, os estudantes enviam as propostas para a mesa
4 – Após os informes, abre-se imediatamente a discussão das propostas
5 – As propostas são defendidas em duas rodadas: contra, a favor; contra, a favor. Cada rodada dura de quatro a seis minutos
6 – Logo após defendidas, as propostas são votadas.
7 – Se o contraste não for claro, os votos devem ser contados
8 – A assembleia termina após todas as propostas terem sido votadas
Por quê?

Da maneira como é realizada atualmente, a assembleia é antidemocrática. Apenas uma opinião consegue se expressar: a da atual gestão do DCE. A maioria dos estudantes tem que brigar para conseguir falar na assembleia. Os membros do DCE utilizam a autoridade da mesa para impedir que a oposição faça propostas sobre como encaminhar a assembleia, para realizar as votações da maneira que lhe convém e para selecionar as propostas que lhe interessam.
Após quase três horas de discursos vazios, metade dos estudantes sai da assembleia e essa chega ao final esvaziada. As decisões, que serviriam para organizar o movimento estudantil acabam sendo tomadas apenas por uma parte dos estudantes que começou assistindo à assembleia.
A proposta que apresentamos aqui parte do princípio de que a assembleia é, mais do que um espaço de discussão, um espaço para deliberar sobre os rumos do movimento estudantil e para impulsionar uma ação coletiva dos estudantes. A proposta também pretende acabar com a distorção provocada pelo DCE, que domina as falas e passa uma hora e meia defendendo suas propostas, enquanto os demais têm apenas dois minutos para fazer isso, na hora da votação.
A discussão que deve haver deve se dar concretamente em torno das propostas realizadas, ou seja, em torno do que fazer. Isso asseguraria uma maior participação dos estudantes, a votação de tudo que fosse encaminhado e a permanência da maioria dos presentes até o final da assembleia, que também seria mais enxuta e objetiva.
Essa é a única maneira de tornar a assembleia verdadeiramente democrática e um instrumento efetivo para a luta dos estudantes.

A REDAÇÃO