Rodas anuncia intercâmbio bancado pelo Santander

O reitor interventor anunciou na última terça-feira, dia 26 de março, um programa de intercâmbio que vai instalar escritórios em três cidades estrangeiras e vai custar R$ 400 mil financiados pelo banco Santander. Os escritórios serão instalados em três localidades fora do Brasil, em Boston, Londres e Cingapura. O objetivo, segundo a direção da universidade, é ampliar o programa de internacionalização e aumentar a concessão de bolsas para quem vem de fora do País para estudar na USP.
A princípio estes escritórios vão funcionar até janeiro de 2014.
O objetivo principal do programa seria a concessão de bolsas para pesquisadores e estudantes estrangeiros que tenham o interesse em realizar intercâmbio na USP. Mas haverá também bolsas para professores e alunos da universidade.
Segundo o texto do programa publicado no Diário Oficial de São Paulo, o projeto vai “fortalecer a presença da Universidade de São Paulo no exterior, disseminando o conhecimento produzido por sua comunidade acadêmica conjuntamente com seus parceiros internacionais e propondo novas ações, projetos e/ou programas inovadores na área da internacionalização; fomentar iniciativas de internacionalização; e promover a integração da comunidade acadêmica estrangeira com os docentes e discentes da USP”.
Rodas vai nomear um diretor e um diretor adjunto para cada escritório criado e estes apresentarão relatório das atividades desenvolvidas no exterior.
Por detrás da suposta expansão da USP para o exterior e do oferecimento de mais bolsas para estudantes intercambistas, este programa de intercâmbio anunciado pela reitoria com financiamento do banco Santander expõe as estreitas relações que o reitor da USP tem com o setor privado dentro da universidade.

Por mais que Rodas desminta a privatização da universidade em curso, por meio destas “parcerias” fica evidente como esta e outras empresas estão cada vez mais presentes nas unidades e em projetos dentro da universidade.
O próprio banco Santander, desde a gestão anterior, de Suely Vilela, já “financiava”, cursos de língua particulares dentro da USP. As empresas e a reitoria apresentam estas “parcerias”, obviamente, como uma medida progressista que beneficiará a todos. Mas os acordos milionários que envolvem estes projetos nunca é de conhecimento público geral.
Não há nada demais a criação ou ampliação de intercâmbio na USP, mas diante de inúmeros problemas estruturais dentro da universidade este programa e o montante envolvido chama muito a atenção. É notório a constante falta de moradia estudantil no CRUSP, de políticas de ampliação da assistência estudantil, contratação de professores, ampliação das bibliotecas, laboratórios, prédios e outras questões diretamente de interesse dos estudantes, um projeto como esse aparece como um pouco fora do contexto, mas que na verdade é mais um comércio que Rodas está fazendo com a USP e diretamente com um banco que a princípio não teria nenhum interesse acadêmico a não ser o de lucrar às custas do prestígio da universidade e das relações que ela tem com outras instituições fora e dentro do Brasil.