Unificar a luta contra os processos e a perseguição política

O aumento da repressão e perseguição política a diversos setores organizados de trabalhadores e estudantes nos últimos tempos tem colocado a necessidade de uma ampla campanha conjunta contra estes ataques.

O mais recente ataque ocorreu à sindicalista Bia Abramides, professora e diretora da Apropuc (Associação dos Professores da PUC) simplesmente por apoiar uma manifestação estudantil.

Bia é acusada pela reitoria da PUC de “obstaculizar uma reunião do Conselho Superior da faculdade” e “desrespeito a superiores hierárquicos e colegiados da universidade, contribuir ou influir para atos de indisciplina dos estudantes”, segundo diz o processo administrativo movido pela reitoria.

É mais um caso claro de perseguição política aqueles que, por não aceitar as medidas totalmente ditatoriais impostas pela burocracia universitária, se manifestam. Bia Abramides apoia a luta dos estudantes contra a escolha do novo reitor da PUC que foi escolhido nos mesmos moldes que o reitor interventor da USP, João Grandino Rodas. O cardeal Dom Odilo Scherer, fez as vezes de José Serra, e assim como aconteceu na USP, não escolheu o mais votado, mas o terceiro colocado, último da lista tríplice, a professora Anna Maria Marques Cintra.

A medida indignou toda a comunidade acadêmica, principalmente os estudantes que protestaram ocupando a reitoria e aprovando greve e outras medidas. Bia, em todos os momentos apoiou a luta dos estudantes e agora está sendo perseguida politicamente.

Outro caso recente de perseguição política está acontecendo na categoria dos bancários. Trabalhadores de bancos públicos foram demitidos depois de inúmeros processos administrativos envolvendo a luta por melhores salários e condições de trabalho, como a participação em greves, por exemplo.

Somam-se a estes casos, os ataques ao direito de greve, a prisão de trabalhadores que se manifestaram nas obras do PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) e as centenas de processos que estudantes e trabalhadores da USP e outras universidades públicas estão sofrendo por se manifestarem.

Na USP, inclusive, oito estudantes foram expulsos e “eliminados” da universidade por protestar e o sindicalista Claudionor Brandão foi demitido por desacatar um professor na reunião do Conselho Universitário.

Diante desta ofensiva da direita contra os movimentos de luta é necessária a criação de uma frente de luta ampla para reunir todos que estão sendo perseguidos pelos governos do PT e do PSDB dentro e fora das universidades.

Esta frente deve se apoiar na luta comum contra estes ataques e definir medidas práticas de uma campanha nacional contra a perseguição política.