Lutar ou seguir a política da reitoria?

A última edição do Jornal do Campus divulgou uma matéria em que relata uma reunião, a portas fechadas, entre reitoria, SPTrans e DCE para discutir a questão calamitosa dos circulares da universidade.

 

Nesta reunião, três representantes do DCE, Letícia Alcântara, Thales Capri e Adrian Fuentes, supostamente apresentaram os problemas que os estudantes que utilizam estas linhas sofrem. O resultado final, segundo declaração do próprio representante do DCE, Adrian Fuentes foi “Estudos serão realizados para melhor adequar as linhas circulares”, ou seja, nada. A SPTrans também se comprometeu a aumentar o número de ônibus nos horários de pico, mas nada muito certo.

 

A reunião que obviamente não foi divulgada pelo DCE, pois nada que é de interesse dos estudantes, como as assembleias, por exemplo, é divulgado, resultou em uma promessa da SPTrans em fazer estudos, sabe se lá baseado em que, com a participação de quem. A SPTrans é uma empresa privada, seu objetivo não é o de encontrar a melhor maneira de atender os passageiros, e sim a de encontrar a melhor maneira de ganhar dinheiro com os passageiros. Sabe que as linhas de ônibus circulares da USP são as mais lotadas de toda a cidade. A lotação é de 1400 a 1700 passageiros todos os dias por veículo. Uma linha “normal” a média é de 800 a 900 passageiros. Ou seja, a empresa está lucrando e muito com a USP, pois quem paga as passagens dos estudantes, por meio do cartão BUSP é a reitoria.

 

Um exemplo de que os estudantes não são considerados nestas mudanças é o recente corte de três linhas que antes passavam pelo campus e a SPtrans cancelou porque a demanda estava baixa, devido a estação do metro Butantã e os estudantes que utilizavam essa linha são obrigados a fazer outro trajeto.

 

Esta reunião, assim como diversas outras realizadas com a reitoria não vai mudar em nada esta questão do BUSP e muito menos das linhas que foram cortadas. O DCE tenta resolver estas questões pela via institucional, sem a participação dos estudantes como medida de pressão. Reuniões a portas fechadas, sem o conhecimento dos estudantes só servem para realizar acordos que em nada beneficiam os estudantes. Foi em uma reunião destas que o mesmo Adrian Fuentes fez um acordo com a reitoria para entregar o espaço do DCE, localizado próximo ao bandejão central, para a direção da universidade reformar e ate hoje um espaço que deveria ser utilizado pelos estudantes para se organizarem esta em poder da reitoria.

 

Todas as conquistas até hoje obtidas pelo movimento estudantil, desde a contratação de professores na FFLCH em 2002 até a construção de um novo bloco do CRUSP em 2007 foram conquistadas pelos estudantes por meio da mobilização e da pressão.  A luta contra os processos e outras demandas estudantis só vão ser resolvidas com a participação massiva dos estudantes em ações concretas, de luta. Os estudantes por não terem participação decisiva nas instâncias de decisão da universidade precisam se mobilizar para obter conquistas.