Relatoria dos Representantes Discentes (RDs) sobre a Reunião da Comissão Mista de 20/03

Publicamos aqui um texto enviado pelos estudantes que representam os moradores do CRUSP na reunião da Comissão Mista que discute junto aos representantes da reitoria os problemas da moradia estudantil.

A reunião começa com fala do coordenador Waldyr. O argumento central é a função da comissão mista:  “não podemos criar nada de novo”, ou seja, o reconhecimento da submissão da comissão a um regimento existente e a avaliação dos casos de acordo com os ‘recursos’ que possui a assistência social, deixando claro que a discussão não vai além de uma ‘administração da miséria’. Ressalta a privacidade das informações que serão tratadas na reunião, que dizem respeito à vida pessoal dos estudantes que apresentaram recursos à comissão mista. A questão é ética, mas aparenta que o coordenador ressaltasse a questão não só com o objetivo de reafirmar o comprometimento, mas também para que NÃO DISESSEMOS A NINGUÉM O QUE ACONTECERIA NA REUNIÃO, o que vai de encontro à concepção de representante, uma vez que estamos na reunião da comissão mista para levar a opinião do coletivo maior do CRUSP e para trazer a este um retorno, motivo do presente texto.

Dá-se a apresentação dos membros da comissão mista. Composta pelo coordenador da Coseas/SAS, Waldyr Antonio Jorge, pela representante da SAS Lucimara, pelos representantes docentes do conselho de graduação, Arlindo Ornelas Figueira Neto e Marcia Caruso Bicego, e pelos da pós graduação, Edmilson Dias de Freitas e Myrian Nunomura e pelos representantes discentes Iolanda G. A. da Silva e Marcio J. da Silva. Também presentes, a titulo de convidadas, a chefe técnica da divisão de promoção e assistência social Marilia R. R. Zalaf e a assistente social Rosana. A representante discente indicada pelo Conselho Universitário não estava presente devido à impossibilidade de horário e também à alegação da SAS de que ela não é mais representante, embora o tenha sido  por apenas seis meses.

Estranhamente, o primeiro questionamento do coordenador foi sobre a nossa –dos RDs- presença na reunião, querendo saber se havíamos sido ‘eleitos’, o quê demonstra preocupação e ao mesmo tempo intromissão do coordenador nas decisões realizadas no CRUSP pelos moradores.

Foi passada na mesa a ata da reunião anterior, assinada por quem nesta estava presente. Passou-se a discussão dos casos, divididos em ‘blocos’. Os três primeiros casos eram ‘casos de  reconsideração à reitoria’, ou seja, recursos que já haviam sido colocados em outra ocasião à comissão mista e agora tramitam para estância superior, que é a reitoria. Os casos são enviados aos membros da comissão com um resumo que contém uma sugestão da DPS sobre o que deve ser feito. Dos três em questão, apenas um possuía sugestão de deferimento, somente este foi deferido. Os critérios para tal parecer da DPS relacionam-se à melhora do desempenho acadêmico, alegação dos motivos pelos quais não conseguiu cumprir o prazo – entre os quais problemas de ordem psicológica e adesão aos programas da Coseas contam muito para um parecer positivo – e são colocados caso a caso.

Não obstante a comissão mista exista para discutir os casos, o parecer da DPS foi o resultado final de todos os casos. Isto expressa a já esperada afinidade representantes da coseas/ representantes docentes e a pouca atenção dada aos argumentos dos discentes.

 O bloco seguinte foi  ‘assuntos diversos’ e tratou dos três casos que não se relacionavam com prazo de permanência na moradia.  Um deles era uma solicitação de mudança de um aluno da graduação para a pós, para que pudesse morar com sua esposa, que está grávida. O regimento não prevê esta situação, o parecer da DPS era discutir com a comissão. Interessante o argumento do docente da pós: a pós possui problemas de vagas. Como se a graduação não possuísse. Mas pode-se trocar uma vaga pela outra. Negado, não será aberto nenhum precedente, foi usado o argumento de que o estudante estando no último ano de graduação ficaria ocupando a vaga de forma indevida, até que se resolvesse sua possível entrada na pós-graduação e depois na seleção do CRUSP.

 Em outro caso, um estudante obteve a pontuação para residir no CRUSP, mas devido à aproveitamento de créditos, já teria cumprido todos os necessários e não poderia ingressar no CRUSP, só que não foram cumpridas todas as disciplinas obrigatórias. Caso de burrice burocrática. O terceiro ‘caso diverso’ é relacionado à agressão da parte de um morador a uma hóspede, a resolução foi  a abertura de sindicância para apuração.

Os casos seguintes, todos sobre prazo de permanência, variavam em tempo solicitado. Todos foram deferidos, mas o que chama atenção é que entre estes casos, 6 são de estudantes que ingressaram no CRUSP depois de já terem cumprido créditos no curso. É previsto no regulamento art. 6°, inciso 6°, um cálculo para encontrar o período de permanência a que terá direito o aluno. A conta mostrada pela assistente para chegar ao tempo dado como prazo não é exatamente a mesma que consta no regulamento. Além disso, segundo a assistente, depois de feito o cálculo, o aluno não possui mais direito nenhum a prazo e para obtê-lo precisa apresentar recurso. Interessante notar que, que nos casos de aumento de prazo na moradia, a assistência social deve realizar acompanhamento dos créditos – às vezes semestral – para ressaltar a importância desse, o coordenador  disse `as assistentes presentes que ‘deveriam acompanhar como ‘mães’ os casos. Questiona-se a comparação, uma vez que a relação assistentes sociais- estudantes não é a mesma que pais-filhos. O coordenador concordou que são coisas diversas, mas retomou a comparação várias vezes, expressando uma concepção estranha do serviço social enquanto serviço público.

 Ao fim da discussão dos casos, o coordenador informou sobre o caso do aluno Klaus, vitima de acidente no ano passado. O assunto o levou a outros, entre os quais o quanto ele tem trabalhado para fazer do CRUSP “Um lugar melhor para todos”, falou da praça dos pássaros, da pintura dos blocos,  do Programa de enfrentamento do uso de álcool e drogas da USP.

Diz o coordenador:  ‘ eles querem escolher a cor da porta’ – o que suscita risadas entre os presentes. Não vendo graça, nós discentes declaramos a falta de dialogo sobre o que é prioridade para ter  ‘um lugar melhor para todos’, temos por exemplo, no bloco F infiltrações e  apartamentos que escorrem água destas. Além disso não nos foi colocada em nenhum momento uma discussão sobre uma  pintura dos blocos, mas sim recebemos em nossos aptos um recado dizendo: ‘será pintado’. O coordenador declara ter se reportado à Amorcrusp. Mas de qualquer modo, quem quiser pintar sua porta de outro modo depois da ‘pintura oficial’, pode fazê-lo desde que comunique à Coseas, que segundo Waldyr fornecerá a tinta e a mão de obra. O espaço livre de criação artística é nosso espaço para expressão, o coordenador não entende o motivo de reclamação.

Como está à frente do Programa de enfrentamento do uso de álcool e drogas na USP, Waldyr possui duas prateleiras da estante de sua sala cobertas por cápsulas de cocaína vazias, em exposição. De uma natureza um pouco mórbida a coleção, questiona-se a sua existência. De acordo com o coordenador, os pendorfes são todos os dias recolhidos pelo CRUSP e trazidos até ele, que os guarda para que as pessoas ‘saibam que existe’ tal mal na nossa moradia. Será que ele não podia somente levantar os dados/fazer uma estatística de tal achado?

A próxima reunião da comissão mista ocorrerá no dia 17/04, às 10h. Convidamos a todos a se reunir conosco no dia 15/04, ás 23h, na ágora, para debater a posição dos RDs na próxima reunião.