Que circular que queremos?

Um dos assuntos mais comentados do momento é a situação deplorável dos ônibus circulares da USP. Na última edição do Jornal do Campus, publicado na última semana foi assunto de capa, com uma foto das filas intermináveis que se formam no terminal Butantã. Nesta segunda-feira, dia 8, foi tema de matéria do jornal O Estado de São Paulo, divulgado em vários sites de notícias, que ressaltou também a lotação das duas linhas, 8012-10 e 8022-10 que percorrem o campus Butantã e que são as linhas de ônibus mais lotadas de toda a rede de transporte coletivo de ônibus de São Paulo. As linhas da USP transportam cerca de 1.700 passageiros cada veículo, por dia. A média das demais linhas da cidade é de 800 a 900 passageiros por veículo por dia, metade do que as linhas do BUSP transportam.
Esta situação coloca em discussão que é necessário mudanças urgentes neste sistema que além dos atrasos constantes, transportam os estudantes em condições insalubres com ônibus superlotados. A SPTrans prometeu realizar estudos (!!!??) para tentar melhorar o serviço e quem sabe aumentar o número de veículos nos horários de pico. O DCE não pensa muito diferente, acha que deve haver mudanças, mas tudo dentro da lei, tudo de acordo com as possibilidades da reitoria e da SPTrans. Mas a questão do BUSP é muito mais séria. É uma das primeiras medidas de privatização colocada em prática por Rodas.
O sistema de transporte da SPTrans na USP não é público, somente estudantes e funcionários, portando o cartão BUSP, podem circular livremente por estas linhas, outros estudantes de outras unidades da USP, de outras faculdades, moradores da São Remo, usuários do Hospital Universitário, trabalhadores terceirizados e estudantes que ainda não receberam o cartão ou por algum motivo não estiverem com o BUSP na carteira, só usam este serviço pagando a tarifa de R$ 3,00.
A discussão que está sendo colocada até pela imprensa burguesa não é por acaso, não estranhem se a SPTrans até realize mudanças, mas com a prerrogativa de que precisa cobrar mais da USP pelo uso do BUSP ou até mesmo passar a cobrar uma tarifa “simbólica” dos estudantes, pois com estas mudanças o serviço vai ficar mais caro para a empresa.
Os estudantes não devem exigir migalhas da SPTrans como quer fazer o DCE, pedindo mais “humanidade” de uma empresa capitalistas que só quer saber de lucrar. É necessário ter uma posição que vá totalmente contra a privatização deste serviço na USP. O sistema de circulares deve ser público e atender gratuitamente toda a comunidade universitária e demais usuários que passem pela USP, sem catracas, sem restrições. O dinheiro que o reitor paga à SPTrans pelo subsídio com o cartão BUSP (dinheiro que ninguém sabe quanto é, mas que deve ser muito) deve ser utilizado para um sistema de transporte da própria universidade, como já existiu, público, maior e melhor equipado.