Direito, Medicina e Poli rejeitaram Pimesp

Rodas não compareceu à audiência. Outros levaram fumo no seu lugar.
Rodas não compareceu à audiência. Outros levaram fumo no seu lugar.

O projeto do governo Alckmin sofreu uma importante derrota. As faculdades consideradas as mais tradicionais da USP, Direito, Medicina e Politécnica rejeitaram o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Público Paulista (Pimesp).

O Pimesp foi lançado em dezembro e feito pelos reitores da USP, Unicamp e Unesp a pedido do governador Geraldo Alckmin (PSDB). A proposta do programa seguiu para debate nas unidades, antes da definição no Conselho Universitário. No entanto, é reconhecido que a rejeição nessas unidades abre caminho para ser derrotado em toda a universidade.

Segundo documento enviado pelo diretor a Faculdade de Direito, Antonio Magalhães Gomes Filho, o programa não atende aos “objetivos de democratização do acesso à universidade”. E ainda que “Não há dados que justifiquem uma preparação prévia para que os cotistas entrem na universidade.”

O problema central do programa é que o governador parte do pressuposto que o negro, mesmo já aprovado no vestibular, não é capaz de se equivaler em notas aos demais estudantes da universidade. E, por conta desse fato, teria que fazer um curso extra para se “nivelar”.

Os estudantes cotistas terão suas vagas garantidas para um college (sistema americano de ensino, em que o aluno faz um curso básico antes de escolher uma especialidade) semipresencial. Após dois anos, de acordo com a nota que obtiver, o aluno poderá escolher um curso.

O fato é que esse projeto tem o objetivo oposto ao anunciado. Primeiro que ele afastará o cotista da universidade por dois anos, onde o estudante é desestimulado a ingressar no ensino superior.

A luta que se coloca é política, pelo acesso dos negros ao ensino superior, independente de seus recursos econômicos.

A redação do Jornal da USP Livre! apoia a luta pelas cotas e considera necessário aprofundar essa luta reivindicando o livre ingresso e o fim do vestibular nas universidades em conjunto com a luta pelo fim do ensino pago.