Tática 2, essa nossa nova/velha conhecida

Ora, que é a “Tática 2”? Os mais novos perguntam, às vezes, atônitos. Nunca ouviram falar. Outros, tarimbados em movimento estudantil e nessas artimanhas subterrâneas, desconversam. Não querem nem lembrar.

Acontece que é isso: acontece.

Um(a) jovem chega à universidade e, ouve aquele farfalhar de papéis distribuídos com textos indizíveis, os discursos, vê a polícia, os processos, o impugnável reitor. Fica embasbacado. Quer fazer alguma coisa. Se anima. Deixa transparecer seu interesse. É fisgado.

A “Tática 2” entra em ação quando aquele(a) jovem trava conhecimento com um militante que, não sabendo (ou não podendo) discutir política, usa o que considera mais… “convincente”: seu charme.

É aí que “o bicho pega”, se é que vocês me entendem.

Mas é mais do que mera casualidade. Mais do que mero flerte, um “olhar 43”. Às vezes a coisa vai para as vias de fato. O(a) jovem, que se aproximou do movimento estudantil porque se interessou por política, vai ficar por perto de uma organização que conheceu pelo olhar, o tato, o cheiro e o gosto, mas não pela política (ou arremedo de política), ainda que, mal o saiba, venha a ser descartado(a) na próxima calourada.

Insisto nos “o/a” porque a “Tática 2” é ambivalente, embora não seja uma via de mão dupla. Homens e mulheres a praticam, homens e mulheres são vítimas dela. Em geral, a vítima não descobre até que seja tarde demais.

Bem, é isso por hoje. Espero poder escrever mais sobre o assunto. Ouvi dizer que está na moda negar que exista essa tática milenar de ganhar “militantes” na cama. Ouvi ainda que a polêmica sobre sua existência ficou mais quente do que nunca depois que militantes de um partido (que estão tentando proscrever, por isso e outras coisas mais) denunciaram. Espero que eu também não seja proscrito por levantar essa lebre… Há lebres que ficam de joelhos. Eu fico em pé e de cabeça erguida. E você?

    O Crápula