Piada do Reitor : A “maravilha” dos Circulares da USP

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Interior confortável dos circulares maravilhosos do Rodas.

 

No programa da Rádio USP (93,7 FM), “A Palavra do Reitor”, do último dia 11 de abril, o reitor-interventor, João Grandino Rodas, entre outros assuntos, falou do “acertado” projeto de ônibus circulares da USP. Com as absurdas declarações de Rodas o nome do programa poderia facilmente ser chamado de “Piada do Reitor”. 

No programa que é um palanque para Rodas falar de todas as suas “benesses” para a universidade, o reitor disse inúmeros absurdos a respeito das reclamações e do péssimo serviço oferecido em parceria com a SPTrans.

Ao ser perguntado pelo repórter do programa se as linhas estão sobrecarregadas, Rodas disse, “Não! (…) se não fossem os ônibus da SPTrans, mas os antigos circulares, a situação estaria um caos” (!!!). Caos está agora, com filas quilométricas e muita espera nos pontos.

O reitor ainda foi mais longe no cinismo, disse que a lotação existe porque na gestão dele tem mais estudantes indo às aulas, à universidade. Segundo Rodas, “O número de ônibus e de usuários na cidade universitária vem crescendo em decorrência da expansão de cursos e da própria atividade de pesquisa que aumentou”.

Sobre os problemas, Rodas falou que são passageiros. Desde que o sistema foi implantado, sempre há lotação nos horários de pico. Falou ainda que para implantar o sistema discutiu durante meses com a CET e a SPTrans para chegar no projeto do BUSP. Não parece, pois basta utilizar o sistema para perceber que nem os ônibus são adaptados para este tipo de transporte, pois tem apenas uma porta de saída.

Rodas ainda classificou a linha como pioneira porque oferece “gratuidade” dos circulares para estudantes, professores e funcionários da capital e do interior. Mentira! Todos sabem que estudantes de outros campi da capital, como Pinheiros , USP Leste e do Largo São Francisco, não tem direito ao cartão BUSP e muito menos aos estudantes do interior, sem contar as inúmeras reclamações de estudantes do campus Butantã, principalmente calouros, que ficam semanas e até meses esperando chegar o bilhete e enquanto isso, são obrigados a pagar R$ 3,00 toda vez que utilizam os circulares “gratuitos” do Rodas.

E a superlotação?

Sobre a superlotação em horários de picos Rodas foi cínico ao dizer que esse “desconforto” de esperar quase uma hora no ponto e os ônibus lotados é “circunstancial”, momentâneo. E ainda fez um autoelogio dizendo que o projeto de ligar a USP e o terminal Butantã com linhas próprias, independentes “foi um acerto da universidade”.

O reitor ainda utilizou a reunião realizada no último dia 27 de março com a SPTrans e a presença do DCE para dizer que há um diálogo com a comunidade universitária para melhorar o serviço, pois segundo ele, “os representantes dos alunos levaram sugestões para atualização e aprimoramento do sistema”. O que mostra a parceria DCE-Reitoria para aplicar a política de privatização de Rodas na USP.

Para completar o reitor ainda disse, “todos os esforços estão sendo realizados pela USP para oferecer aos seus usuários os meios de qualidade para o transporte público”.

Transporte público? Todos sabem que só anda no BUSP quem estiver portando o bilhete BUSP  ou então pagando. Estudantes intercambistas e de outras unidades não tem direito a esse bilhete, trabalhadores terceirizados também não e visitantes muito menos. Os antigos circulares que eram de fato públicos e gratuitos, praticamente não existem mais o que restringiu e muito o acesso de pessoas à universidade, mas sobre estas questões o reitor não fala.

Outro tema de interesse também não é comentado, quanto custa? Na entrevista, o próprio reitor fala que em março de 2012 foram 458 mil passagens do BUSP, segundo dados da SPTrans e em março de 2013 o número subiu para 680 mil passagens , aumento de 33% no uso das linhas. E quem paga? Não vamos acreditar que a SPTrans está trabalhando de graça. Quanto a USP paga? Seria suficiente com este dinheiro criar um sistema de circulares da própria universidade? Totalmente gratuito?
Enquanto isso os estudantes são obrigados a pegar filas e se expremerem nos ônibus, para tentar chegar a tempo nas aulas.
É necessário uma mobilização dos estudantes para exigir que os circulares voltem a ser gratuitos e que este projeto com a SPTrans que não passa de privatização desse sistema seja cancelado. A comunidade acadêmica, estudantes, trabalhadores e professores tem plenas condições de discutir um sistema que seja eficiente e barato.

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O bilhete mágico de Rodas.
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A “pequena” fila “passageira” para pegar o BUSP.

 

Um comentário

  1. Não estudo na USP mas no dia 27/04, sábado, fui na visita monitorada na ECA e por lá acabei conseguindo um exemplar do Jornal da USP Livre! e achei a ideia bem bacana.
    Na ida meu pai me levou de carro mas na volta tive que pegar o circular pra ir até o metrô. Fiquei chocado com a péssima qualidade do serviço. Antes de ir me informei na internet sobre isso e vi que tinham mudado o sistema, só que eu pensava que ele também fosse gratuito para visitantes. Depois da visita, por volta de umas 14 horas eu fui pro ponto em frente a FAU e a FEA na Luciano Galberto, o ônibus demorou uns vinte minutos pra chegar e quando chegou eu fui perguntar pro motorista se era grátis e ele falou que só era gratuito pra quem tinha carteirinha, aí rapidamente, enquanto as outras pessoas foram entrando eu fui ver se a grana que eu tinha no bolso dava, porque eu ainda tinha que pegar o metrô, aí enquanto eu tava pegando o dinheiro o cara simplesmente fechou a porta e saiu sem nem ao menos perguntar se eu ia mesmo pegar o ônibus. Então, depois de mais 15,20 minutos passou o circular 2 ,só que eu queria ir pro metrô Butantã e como não conhecia o trajeto tive que esperar ele dar uma volta inteeeeira na cidade universitária até chegar na estação. Fora que, ele passa duas vezes em alguns lugares, o que é um pouco desnecessário, e mesmo sendo sábado o ônibus lotou até chegar no Butantã.
    Se no sábado tinha gente em pé no ônibus imagina nos dias de semana quando a universidade esta lotada. É um absurdo uma universidade como a USP ter um sistema de transporte tão ruim e ineficiente.
    Não há dúvidas de que algo deve ser feito para mudar essa situação!

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