A CRUSPIANA – 2ª Parte Do IPM-CRUSP e da marginalização dos cruspianos

USP 2013: Buraco "permanente" no teto de um dos alojamentos do CRUSP.
USP 2013: Buraco “permanente” no teto de um dos alojamentos do CRUSP.

A bem da verdade, o IPM-CRUSP (Inquérito Policial Militar do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo), “Instaurado pela Portaria n.° 15-SJ do Exmo Sr General Comandante do II Exército, em 18 de DEZEMBRO de 1968, para apurar as atividades políticas subversivas no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo.” (fonte: MovE Brasil), demonstra os intentos por parte da reitoria da universidade – e jamais menos por parte do reitor Gama e Silva –, visto que, segundo o próprio documento, “Foram constituídas várias comissões militares do Exército e Fôrça Pública de São Paulo para revistarem tôdas as dependências do CRUSP, interditando aquelas em que fosse encontrado material subversivo e apreendendo imediatamente qualquer arma ou explosivo que fôsse encontrado lavrando-se na ocasião o têrmo respectivo de «Busca e Apreensão».” Além disso, é constatado pelo documento que a comunidade cruspiana “se marginalizou às leis do país constituindo-se em um «ghetto», onde foi destruído totalmente qualquer resquício de princípio de autoridade. Não se sabia quem aí residia.”.

Em rubrica do dicionário Houaiss (eletrônico), para Gueto há de se ter as seguintes definições: “na maioria das cidades europeias, bairro onde todo judeu era obrigado a residir; bairro de uma idade onde vivem os membros de uma etnia ou outro grupo minoritário, freq. devido a injunções, pressões ou circunstâncias econômicas ou sociais; todo estilo de vida ou tipo de existência resultante de tratamento discriminativo.”. Há que se pode saber, a partir disto, que se incorporou na universidade, naqueles idos, o que, não por muito esforço, pode-se notar dum discurso de estranheza duvidosa que já, há não muito, em Europa, foi usado antes a fim de servir às praticas perversas de alguns regimes. A parte disto, não havendo tendenciosidade alguma, há às claras implicado no tratamento por Gueto uma postura discriminativa e repelista (com o perdão ao neologismo) do projeto habitacional perquirido por Knesse, como se pode ver ao tratamento que o projeto tomou, isto sendo ao fato de Paulo Camargo duplicar o projeto inicial sem dobrar a verba para fazê-lo sólido e sem riscos futuros, bem como não projetar galpões para a feitura das peças pré-moldadas e, com o fim do pan-americano, fecharem as portas do CRUSP, em 64 – data de golpe militar. Não obstante a apenas isso, a conduta que se revela aos poucos é ainda a conduta que se mantém e se delineia em um opressivo caráter de ocultação e dissolução do empreendimento CRUSP, que, em suma, podemos dizê-lo como sendo apenas monumento desportivo e descartável, pois, em dias de hoje, na Universidade de São Paulo, muito não é diferente daqueles regimes europeus, no que tange os alojamentos do CRUSP e ao modo como os universitários ingressantes são tratados ao requererem suas moradias, bem como ao modo como são submetidos em condições de alojamento precário e ao modo como são alienados pela SAS-COSEAS, ao que diz respeito das informações que lhes são [jamais] entregues, isto é, não se leva em conta, por parte das assistentes sociais, o direito que um estudante tem em ser bem salientado e assistido honestamente por aqueles que detêm o “poder” sobre eles e de qualquer informação que lhes auxilie. Em outras palavras, diferente do que diz o IPM-CRUSP, nos dias de hoje, foi construído totalmente os antigos resquícios de princípio de autoridade.

Segundo pesquisa de campo feita para este jornal (USP LIVRE), efetuada desde o dia 11 de Março, de 2013, com universitários alojados no Bloco E, Bloco C e CEPE-USP, constatou-se por entrevista e averiguou-se o seguinte:
Primeiramente a composição dos alojamentos é a de: no Bloco E, havendo apenas 2 quartos para alojamento, um feminino e outro masculino, há 3 quartos com cada um com duas beliches, tendo a soma de 12 meninos e 12 meninas em cada “apartamento” – fala-se aqui de apartamento porque neste Bloco o alojamento mais se parece com um apartamento, visto que há um corredor que divide os 3 quartos, que são muito pequenos, e 2 banheiros; no Bloco C, havendo 6 quartos para alojamento – que aqui nada se parecem com um apartamento, pelo contrário, lembram apenas um grande salão, ou melhor, porão –, onde 3 são para meninos e 3 para meninas, cada quarto, exceto o Quarto 1 e o Quarto 4, possuem um banheiro interno, os outros, logo, são externos. Cada quarto desse alojamento possui em média 8 camas, dispostas paralelamente uma com a outra e, a preencher todo o quarto, estão, em sua maioria, ocupadas; e no CEPE-USP havendo apenas 5 pequeníssimos quartos para alojamento – não se sabendo por esta reportagem em que modo são divididos por gêneros, pois, devido a quantidade de burocracia e de restrição, não se pode tomar muitas entrevista –, são lá dispostas 8 beliches, num total de em média 11 alunos por quarto, com realce, exageradamente pequenos.

Nestes alojamentos, o aluno em chegada encontrará as seguintes mobílias: Bloco E: Beliches com armário embutido; Bloco C: camas com finos e velhos colchões, muitos com insetos que julgam ser cupins, ventiladores, cortinas, uma mesa, uma cadeira e cômodas por número de camas; CEPE-USP: beliches, ventiladores, armário de ginásio, uma mesa e duas cadeiras.

Afora o patrimônio servido, o seu estado e os relatos dos alunos sobre as condições do lugar, dos objetos e de sua vivência:
Falar-se-á de forma geral neste ponto para que não haja de modo algum forma alguma de se poder identificar os alunos por trás dos comentários e das denúncias, dado que há, ao que se espreita tanto na Universidade de São Paulo, quanto também em seus setores menores, como é o caso da SAS-COSEAS, maneiras inúmeras de se perseguir estudantes intencionados a ver melhorias e mudanças nesta instituição. Assim sendo, já de início se relata, por meio da admitida voz dos estudantes, os problemas de infraestrutura dos alojamentos, colocando em voga a herança vitruviana deixada à universidade por Eduardo Knesse, ao que se refere em solidez, beleza e conforto (utilidade). Deste modo, averígua-se a má excelência do alojamento quando se olha diretamente, com pouco custo, aos móveis emprestados aos estudantes, pois se percebe todos ou quase todos corroídos por cupins, com cômodas quebradas em suas gavetas, com mofos e, em alguns casos, pouco utilizáveis, visto que de quatro gavetas restam duas; há, também, cômodas que estão queimadas em sua superfície, ao que se pode supor que foi colocado sobre ela panelas quentes o suficiente para tostar a madeira; batentes de portas trincados e em péssimas condições para seu uso; trincos e maçanetas quebrados e quase sem utilidade de segurança; tomadas defeituosas sem contato algum com o sistema de energia; ventiladores quebrados ou ruins para o uso, consertados “na gambiarra”, dado que se pode notar o uso de fitas isolantes e fios desencapados; teto expelindo “curiosa gosma preta que surgiu uma outra vez pela rachadura do teto”; banheiro com chuveiro queimado – que mais tarde, havendo a falta de manutenção e de atendimento da zeladoria, os próprios estudantes vieram a consertá-los, custando-lhes não só o serviço como a peça substitutiva –; privada sem assento e privadas que “fantasmagoricamente, ao apertar a válvula de descarga, expele gosma amarela fétida e nojenta por todo o banheiro até o ralo do chão”; paredes imundas e com vários rabiscos de ex-alunos – o que evidência falta de manutenção e pintura –; encanamento de esgoto do prédio exposto nos quartos dos alojamentos do Bloco C; e, no caso do CEPE-USP, corredores e alojamento com goteiras e enlameados, dado que o caminho/trilha é terra e apenas.

Continua …

Ramote