Entrevista com o Tucano (4ª parte)

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Ilustração enviada pelo colaborador.

 

Quem quer acusar, tem o ônus da prova – eu ponderei, concordando com ele. E, diga-se de passagem, se até o DCE é tucano, porque o USP-LIVRE não pode ter uma personagem tucano?
   
E o tucano contou outra história, como se fosse Sheherazade:
– Muitas pessoas costumam dizer que somos nazistas, autoritários, anti-democráticos… Qual! Qualquer simples estatística mostra que 99% de nossa ação consiste em “dissuasão”, e não em repressão.
– Como assim?
– Vou dar um exemplo. Aparece um sujeito, digamos um professor ou um funcionário público que, um belo dia, resolve cantar de galo, diz que tem provas de que há falcatruas, dinheiro desviado, e blá-blá-blá. Pedimos que o sujeito apresente suas “provas”, mas que terá que responder por suas acusações, se não conseguir provar nada. Na horinha, o sujeito esquece tudo e vira uma franguinha exemplar!
– Quem quer acusar, tem o ônus da prova – eu ponderei, concordando com ele. E, diga-se de passagem, se até o DCE é tucano, porque o USP-LIVRE não pode ter uma personagem tucano?
– Justo! O tenente F., que de vez em quando se mostra em público como verdadeiro militar, e até assusta alguns de nossos correligionários, repete costumeiramente com um sorriso de hiena que nada é melhor no mundo do que mandar chamar para depor um sujeito que adora cantar de galo! Ele diz que espera o sujeito esbravejar, dizer que vai denunciar, que vai fazer o diabo… e então, diante de um simples interrogatório, ou uma ameaça de processo administrativo, o sujeito fica com o rabo entre as pernas e esquece, de maneira mágica, de tudo o que ia dizer! A Lei é a nossa varinha de condão! Claro que o sujeito tem que ter um ponto fraco, ou medo de perder o emprego, e coisas tais…
– Às vezes, tenho dúvida se essa ação é a mais adequada!
– É batata! Resolve na hora! E não somente o sujeito que era metido a esperto fica todo borrado, mas logo os seus colegas de trabalho e outras pessoas ficam sabendo do ocorrido, e passam a ter medo de assinar uma simples ficha de moção, ou um abaixo-assinado, e coisas do gênero! Governar assim é bem mais fácil! E, como disse o Passarinho, e um Ministro nosso o arrulhou: “Às favas com os escrúpulos!”
– Mas nem todos têm condições de trazer à flor da pele tudo o que sentem e o que pensam!
– Por isso o Delfim é dos bons, como diz o tenente F. Ele é um dos poucos que reconhecem que a Revolução de 64 era necessária, naquele momento e naquelas condições… Dia desses, o Nécio também começou a falar na Revolução, mas logo mordeu a língua… Melhor assim: senão perdemos nosso único candidato que, com um pouco de polimento e óleo de peroba, fica com o esqueleto e a cara reluzentes!
– Se não ficar com crise de abstinência!
– Tomamos todo o patrimônio político do Maluf e ainda jogamos os podres do partido dele para o PT! São uns tontos, mesmo! Acreditaram que dinheiro na cueca e transações à luz do dia ia sair barato! Já se foi o tempo em que nosso juiz Nicolau podia dispor de 160 milhões na boa… Agora os negócios andam por outros trilhos.
– É, pegamos a Rota, o tolerância zero, o vale-leite, o Cingapura…
– E, se isso não bastar, os tucanos vão beijar a pomba daquele pernambucano ou a gralha da Marina, e até ressuscitamos o Kassab, se for preciso. No fim da história, nós, tucanos, somos malufistas até debaixo d’água, e fizemos o PT e o Haddad pagarem o pato e a conta!

Reginaldo Parcianello