Processos e sindicâncias contra 16 professores na EACH

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Na EACH são 16 processos e sindicâncias contra professores.

 

Da mesma foram que a reitoria está perseguindo estudantes e funcionários, os professores também estão sendo alvo de sindicâncias e processos. A Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), localizada no campus USP Leste, é a faculdade que acumula maior número de sindicâncias contra os professores, em uma clara perseguição política.
Desde 2009, já ocorreram 16 sindicâncias contra docentes que resultaram em dois processos administrativos. A situação também ocorre em outras unidades, como o Instituto de Ciências Biológicas (ICB), com 11 sindicâncias e o mesmo número de processos, no IAG (Instituto de , há seis processos administrativos contra docentes no mesmo período, e duas sindicâncias apenas em 2011.
O caso da professora Adriana Tufaile, professora de Ciência da Natureza na EACH e representante do Conselho Técnico Administrativo (CTA) da unidade, é o mais claro de perseguição política. Ela está sofrendo uma sindicância por ter criticado o CTA que participa em uma lista de e-mails.
“Na minha mensagem eu apenas discutia com meus representados os problemas que constatei no CTA e isso gerou uma sindicância que teve que envolver três docentes e uma secretária”, relata a professora.
Seu marido, Alberto Tufaile, que também é professor na faculdade, além de ter sofrido uma sindicância, chegou a ser alvo de um processo, por uma discussão que teve com um colega de trabalho. A reitoria apresentou o mesmo método utilizado contra os estudantes para condenar os professores, o resultado foi dado mesmo antes do julgamento. “O diretor [da EACH] abriu um processo disciplinar já indicando a minha penalidade de ‘repreensão’, pois achou que o relatório [da sindicância] era muito claro”, afirma Alberto.
O diretor da unidade, Jorge Boueri, que mantém as sindicâncias, tomou posse em 2010, indicado pelo reitor interventor Rodas. Para Boueri, as sindicâncias são um “dever ético” e seriam consequência da imaturidade da EACH e seus professores.
Os professores reclamam, ainda, que não puderam ter acesso ao material das sindicâncias, mesmo com a presença de advogado. Além disso, as sindicâncias ocorrem em sigilo e os professores sequer podem comentar sobre o conteúdo delas. Adriana Tufaile chegou a ser ameaçada de sofrer nova sindicância por denunciar tal perseguição. Uma verdadeira ditadura que aprofunda a perseguição política na USP. Os professores não podem sequer discutir os problemas da unidade! Imagine se fizessem algum tipo de protesto ou manifestação? Seriam demitidos?
Esta perseguição aos docentes tem o mesmo caráter dos processos contra os estudantes que lutam contra o Rodas e a política do PSDB para a educação. É preciso fazer uma ampla campanha para impedir que os processos e sindicâncias continuem contra a comunidade universitária. Fora Rodas! Fora PM! Fim de todos os processos contra estudantes, funcionários e professores!