Faculdade de Direito da USP: quem paga a banda escolhe a música

Três anos depois de a nomeação de salas feita por Rodas ter sido revertida, uma nova instituição privada quer financiar a reforma e nomear uma sala na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

O Instituto Brasileiro de Direito Tributário pretende financiar a reforma de uma sala e nomeá-la com o nome de seu fundador, Ruy Barbosa Nogueira. Medida similar foi aprovada por João Grandino Rodas, atual reitor, na época em que era diretor desta faculdade, para a nomeação de duas salas e foi rejeitada pelos membros da congregação do curso que o consideraram persona non grata.

As salas nomeadas por Rodas levaram o nome do banqueiro Pedro Conde e do advogado José Martins Pinheiro Neto, depois que a família do banqueiro e um dos maiores escritórios de advocacia do país desembolsaram cerca de R$ 1 milhão na reforma. As salas pararam de ter suas funções habituais e parte da biblioteca foi removida do prédio no Largo do São Francisco, a pedido da família de Conde. Os livros foram armazenados em péssimas condições, o que levou à perda de parte do acervo.

A medida foi revertida pela Congregação, que determinou a retirada das placas, após terem sido realizadas manifestações na faculdade contra a nomeação. A família do banqueiro chegou a pedir o reembolso da verba, mas aguarda decisão do recurso apresentado pela USP.

Desta vez, não foi anunciado ainda qual será o valor e a decisão deve passar pela Congregação. Mas, caso seja aprovada, abrirá precedente para que diversas salas da faculdade sejam renomeadas, ou até mesmo que haja exigências maiores para o financiamento de reformas.

Este financiamento chegou a ser justificado por Rodas como uma maneira de suprir a suposta falta de recursos dentro da USP. O reitor, no entanto, sequer utiliza a verba do governo destinada à universidade. No começo deste ano foi anunciado que a USP terminou 2012 com R$ 3,4 bilhões acumulados ao longo dos anos em caixa, sendo que a mesma recebe cerca de R$ 4,3 bilhões por ano.

O financiamento privado em troca da nomeação de salas por elementos estranhos à USP faz parte do plano do governo peessedebista de privatização das universidades paulistas. Os estudantes do Largo do São Francisco e de toda a USP devem protestar contra esta medida.