DIREITO DE IR E VIR? SÓ SE VOCÊ TIVER DINHEIRO: Testemunho de uma agressão no Metrô Butantã

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Na manhã de 15 de junho, eu estava voltando para casa de uma festa da USP, onde havia perdido minha carteira. Não tendo bilhete único, nem dinheiro para voltar, passei no bloqueio do metrô Butantã sem pagar. Já descida a primeira escada rolante em direção a plataforma de embarque, a mulher guarda, que estava com mais dois guardas homens, entrou na minha frente e perguntou se eu não tinha ouvido ela me chamar. Eu disse  que não e continuei andando. Ela, então, me segurou e disse para eu voltar, que eu era uma folgada. Falei que não voltaria, pois não tinha dinheiro e tentei continuar andando, mas eles me agarraram e começaram a me puxar para voltar. Eu me debati e me agarrei no pilarzinho ao lado da escada rolante para não me levarem. E como eles eram mais fortes, obviamente, conseguiram me puxar. Então me joguei no chão e eles me arrastaram para trás de um dos quiosques do metrô, me acertaram com o cacetete e me chamaram de vagabunda. Quando eu me levantei e começei a gritar que estava sendo agredida, um deles, o mais bombado, me deu uma chave de braço, me deixando sem respirar por alguns segundos, até que um transeunte interveio e o guarda me soltou, ao ouvir a mulher guarda dizer “solta ela, deixa essa folgada ir embora”. Peguei minhas coisas que estavam caídas no chão e fui para casa.
Ora, na Constituição Federal, encontramos:

TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XV – É livre a locomoção no território nacional (ou o que ficou convencionado como direito de ir e vir)

E, na prática, o que encontrei foi humilhação e agressão.
Claro que a lei é um artifício artimanhoso (artimanhoso porque, ora, é muito lindo e até quase convincente o discurso da “lei asseguradora dos direitos iguais para todos”, que facilmente mascara sua real finalidade) dos poderosos para atrapalharem a nossa vida, burocratizando o acesso as nossas condições mínimas de vida. Mas ela esta aí, (im)posta, e é necessário que nos apropriemos dela.
Obviamente, este não é um caso isolado. Obviamente, a repressão não está restrita a uma passagem não paga. Obviamente, a segurança, a guarda e, principalmente, a polícia, existem para proteger a propriedade privada e os interesses econômicos dos ricos (ora, o metrô butantã é uma empresa privada que lucra com a locomoção da população para casa, para a escola, para o trabalho). E é por essas e outras que está em marcha o movimento contra o aumento da passagem. E justamente por ele estar em marcha, e crescendo, e ganhando força, ele está sendo reprimido.
J.D.R.M

Um comentário

  1. Confirmo a agressividade dos guardas no metrô Butantã. Ontem, quando saí para a manifestação, o guarda próximo da catraca estava o TEMPO TODO segurando o cassetete, babando de raiva para que alguém a pulasse e ele pudesse espancar, pois havia outros quatro guardas ao lado dele. Mas, na volta da Manifestação, na Estação Morumbi, o funcionário cedeu à pressão da massa, e deixou que pulassem a catraca, apesar de ter recebido ordens para não liberá-la.

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