Largo São Francisco: Estudantes em greve geral por tempo indeterminado

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Estudantes aprovam quase por unanimidade greve geral por tempo indeterminado.

Nesta quinta-feira, dia 8, os estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco entraram em greve para protestar contra as condições deploráveis das matrículas na faculdade.

A greve foi decidida por mais de 600 estudantes que realizaram duas assembleias, uma no período diurno e uma no período noturno. Segundo a direção do Centro Acadêmico XI de Agosto o quórum foi de 627 estudantes, cerca de 250 estudantes no período da manhã e 350 no período noturno.

Os estudantes relataram o verdadeiro caos nas matrículas que acontecem todos os anos. Centenas de estudantes da Faculdade de Direito ficaram sem matrícula, não atingindo o número mínimo de créditos necessários para cursar durante o semestre. Há casos em que estudantes ficam um semestre inteiro sem cursar nenhuma disciplina por não conseguirem vaga. Há casos em que estudantes conseguem menos da metade dos créditos mínimos necessários por ano, 24 créditos.

 

A assembleia discutiu a necessidade dos estudantes lutarem contra esta medida totalmente arbitrária que envolve exclusivamente as decisões da direção da faculdade que tem como maior representante a Comissão de Graduação, formada somente por professores.

Entre as falas, os alunos denunciaram que não podem escolher o professor e a disciplina de interesse, pois o sistema de matrículas da San Fran sequer segue o sistema Júpiter como tal, ou seja, estabelece um sistema em que os professores e as disciplinas são pré-estabelecidos com vagas limitadas. Os problemas atingem tanto as disciplinas obrigatórias como as optativas livres.

A respeito deste fato, um aluno, durante a fala na assembleia no período noturno desabafou, “Por que o professor tem liberdade de cátedra e eu como aluno não posso escolher a matéria e o professore que eu quero?”.

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Cartaz de protesto colado na faculdade.

Os estudantes até tentam encaminhar ofícios e retificações de matrícula para a seção de alunos e para a Comissão de Graduação, mas quase a totalidade destes “pedidos” é indeferida. Outro setor bastante criticado foram os departamentos, um estudante chegou a dizer, “na nossa faculdade os departamentos são feudos”.

Foi também relatado que muitos estudantes para se formarem o quanto antes acabam não se especializando, pois não conseguem vagas nas disciplinas de interesse e escolhem outras matérias simplesmente para cumprir a cota de créditos e terminar o curso em no máximo cinco anos.

A maioria das falas na assembleia foi favorável à realização da greve como medida para pressionar a direção da faculdade para aceitar as matrículas. A estudante, Marina Torres, conhecida como Mari Love, e uma das organizadoras da assembleia disse “o único instrumento de pressão que nós temos é a greve! Agora é a hora! (…) se os estudantes não se unirem vão ter seus direitos tratorados”.

Os estudantes reivindicam medidas a curto e longo prazo para resolver a questão das matrículas. Pedem que a direção da faculdade aceite imediatamente a inclusão de todas as matrículas que foram rejeitadas. Que o sistema Júpiter seja adotado integralmente para matrícula de matérias obrigatórias e optativas e o aumento de créditos livres e vagas em optativas.

As reivindicações a longo prazo pedem uma audiência pública com a Comissão de Graduação, que seja aprovado até outubro na Congregação da faculdade uma nova grade e o projeto político pedagógico e o aumento dos créditos livres de matérias optativas dos atuais 12 para 60 créditos.

 A assembleia foi aprovou a greve com 400 votos favoráveis, 39 abstenções e 17 abstenções. A greve é por tempo indeterminado até que as reivindicações sejam atendidas.

O Jornal da USP Livre! declara todo apoio à greve dos estudantes de direito do Largo São Francisco!

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