Fim do mandato do reitor-interventor: Fora Rodas!

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Rodas prometeu devolver os blocos K e L para a moradia e até agora nada.

A reitoria da USP começou a promover reformas de canalização em larga escala na universidade. Como foi denunciado no Jornal da USP Livre! no começo do ano, o campus da universidade no Butantã sofre com enchentes frequentes que deixam claro como a Cidade Universitária está totalmente sucateada após anos de governos militares e tucanos. Uma verdadeira depredação ao patrimônio público que faz o “vandalismo” forjado na reitoria durante a reintegração de posse pela polícia parecer um pontinho vermelho no meio do laranja. Essas obras, no final do mandato do reitor-interventor, servirão para tentar limpar a reputação dessa gestão ditatorial.
A receita da universidade é enorme, porém reivindicações urgentes dos estudantes não são atendidas, como a ampliação da moradia estudantil. O custo para se construir e manter o dobro ou o triplo dos blocos de moradia que existem hoje é irrisório diante das obras faraônicas em curso (biblioteca, hospital psiquiátrico, institutos), mas a política do governo e da reitoria é contrária a isso, assim como é contrária a ampliação de vagas nos cursos e contratação de professores para suprir a demanda dos cursos.
Todas as “reformas” feitas no CRUSP durante a gestão de Rodas não passaram de fachada. Cada porta de apartamento, cada parede do corredor e cada tubulação foi pintada e repintada cinco, sete ou nove vezes em poucas semanas, deixando claro que o serviço terceirizado, além de camuflar as péssimas condições de moradia, prestava-se ao superfaturamento em favor dos envolvidos. Por isso inclusive que não há participação dos estudantes em todas as “obras” que são feitas no CRUSP.
É importante para a burocracia universitária que os estudantes, em especial os moradores do CRUSP, não tenham espaço em qualquer decisão dentro da universidade. Os alunos são os maiores interessados na universidade e seus interesses são opostos aos das empresas que precisam se manter a custa do Estado. A elite dos grandes empresários parasita os órgãos públicos a fim de obter lucros que somente por meios “normais” ou “honestos” seriam impossíveis, principalmente em tempos de crise econômica. A universidade pública torna-se, então, um dos alvos.
A entrega dos blocos K e L do CRUSP à moradia estudantil, prometida por Rodas, é adiada há meses. Esses blocos são utilizados como sede da reitoria desde a época da ditadura militar, quando os moradores do CRUSP foram expulsos e deixados nus na Rodovia Raposo Tavares. O CRUSP é naturalmente foco de movimento estudantil e sua manutenção é um fardo para quem deseja privatizar a maior universidade da América Latina, como aval para a privatização de todas as universidades públicas.
O reitor João Grandino Rodas utiliza o termo “modernização” para referir-se à privatização da universidade. Longe de ser um progresso, a privatização é seu exato oposto. Nela, o Estado concede autorização para que uma camada de privilegiados exproprie os bens coletivos da população, tanto as estruturas e instituições quanto a verba pública, sem a necessidade de oferecer à população um direito anteriormente conquistado. O direito democrático de educação em todos os níveis é liquidado nessas condições.
A privatização é causa da falta de professores, sucateamento dos cursos e desvio de verbas na universidade, mas esse é só o começo. Caso ela se efetive completamente, o ensino público e gratuito deixa de existir. Assim como no caso do propinoduto tucano, as licitações feitas pela USP para os serviços terceirizados são um balcão de negócios que favorecem o enriquecimento de grupos empresariais sem nenhum interesse na manutenção da universidade pública. As fundações privadas que atuam na USP desviam estrutura, professores, pesquisadores e funcionários públicos para favorecer empresas e grupos empresariais privados, que obviamente não têm nenhum compromisso com os interesses da população que mantém tudo isso.
Rodas agora faz demagogia, defendendo as eleições para reitor. Combina-se, assim, sua política com a proposta da diretoria burocrática do DCE (Psol e PSTU), diversas vezes rejeitada pelos estudantes nas assembleias. Isso evidencia que as reivindicações rebaixadas desses pelegos contribuem apenas para fortalecer a ditadura do PSDB na USP. Rodas tenta, no final de seu mandato como reitor, colorir sua imagem, já em frangalhos. A rejeição ao PSDB, demonstrada nas últimas eleições e nas recentes manifestações de rua, também atinge o reitor, que foi escolhido por José Serra (PSDB) para assumir, mesmo tendo perdido as já antidemocráticas eleições.
Os estudantes e trabalhadores precisam tomar o poder na universidade, para garantir o controle dela aos verdadeiros interessados, através de uma representação ampla e proporcional, não paritária. Simultaneamente, a luta pelo livre ingresso na universidade é o meio para que os filhos da classe trabalhadora também possam estudar e promover uma verdadeira reestruturação no ensino que beneficie toda a população que é interessada. O preconceito contra o controle da universidade pelos estudantes, contra o controle dos trabalhadores nas fábricas etc. é um desdobramento da ideia de que a população de jovens e trabalhadores não deve controlar a política no país, em favor da ideia da manutenção da ditadura civil das elites.
Rodas apoiou a ditadura militar, foi contra o reconhecimento da morte de Zuzu Algel e do estudante Edson Luís pela ditadura, colocou a maior universidade do país em estado de sítio, contando para isso com o apoio das calúnias espalhadas pela mídia tradicional monopolista. Ele não pode terminar seu mandato ileso. As reformas, físicas e estatutárias, promovidas por ele não passam de enganação e até agora só favoreceram os cartéis que usurpam os recursos da universidade. Os estudantes precisarão se organizar para derrotá-lo, acompanhando e extrapolando o movimento que vigorou nas ruas e em outras universidades nos últimos meses.